Domingo de Circo
Toda tua chegada nessa radiosa manhã de domingo embandeirada de infância. Solene e festivo circo armado no terreno baldio do meu coração.
As piruetas do palhaço são malabaristas alegrias na vertigem de não saber o que faço.
Rugem feras em meu sangue; cortam-me espadas de fogo.
Motos loucas de globo da morte, rufar de tambores nas entranhas, anúncio espanholado de espetáculo, fazem de tua chegada minha sorte.
Domingo redondo aberto picadeiro, ensolarado por tão forte ardor, me refunde queima alucina:
olhos vendados,
sem rede sobre o chão,
atiro-me do trapézio
em teu amor.
Do livro A Arte de Semear Estrelas, de Frei Betto.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Há 317 anos, morreu Zumbi dos Palmares

O negro Zumbi foi o último chefe da Primeira República verdadeiramente livre das Américas que representa a bravura do povo negro e o símbolo de resistência contra a escravidão. Com apenas 20 anos, foi grande estrategista militar e guerreiro, defendendo o quilombo dos Palmares na luta contra os soldados portugueses. Em 20 de novembro de 1695, depois de ser traído por um companheiro, foi preso pelas tropas potuguesas, morto e esquartejado.

Ouça aí o áudio apresentado por José Carlos Andrade:
 
http://radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2012-11-20/h%C3%A1-317-anos-morreu-zumbi-dos-palmares#.UKtTAuJqwgc.twitter

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Interesses do agronegócio exterminam tribos inteiras. Governo cala.

Ninguém no governo federal ousa enfrentar os interesses do agronegócio que exterminam tribos inteiras
Por Gabriel Brito
“Os índios guaranis vivem situação de extermínio silencioso. Ninguém no governo federal ousa enfrentar os interesses do agronegócio no estado comandado pelo governador do PMDB André Puccinelli, enquanto que a mídia mostra sua total insensibilidade”. A opinião sobre as populações indígenas no Mato Grosso do Sul é de Marta Azevedo, professora do Núcleo de Estudos da População (NEPO) da Unicamp em entrevista a Gabriel Brito e publicado pelo Correio da Cidadania.
Eis a entrevista:
Qual a situação real dos índios Guarani Kaiowá em todo o estado do Mato Grosso do Sul? Em que condições psicológicas os indígenas se encontram, com suas alarmantes taxas de suicídio, que envolvem até crianças?
A situação dos guaranis no Mato Grosso do Sul é muito complicada, pois há muitos anos eles vêm lutando para demarcar novas áreas, conseguindo muito menos que o necessário para sua sobrevivência. O MS é um estado bastante agrário, com muitas fazendas, o agronegócio; portanto, são interesses muito fortes, os quais os índios e a FUNAI não têm enfrentado a contento para melhorar a qualidade de vida na região.
Eles, de fato, têm registrado altas taxas de suicídio, saída praticada por conta da falta de perspectiva de vida dos últimos 15, 20 anos. Ninguém sabe ao certo, de forma muito detalhada, como andam essas taxas de suicídio. A Funasa (Fundação Nacional de Saúde) diz que elas estariam baixando, mas eu não teria essa certeza. Precisaríamos checar com os dados do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que é quem acompanha há muitos anos tais estatísticas e é a fonte mais confiável.
Outra coisa que acontece ultimamente, e que nos alarma mais ainda, é uma grave subnutrição entre as crianças, que têm extrema dependência de cestas básicas da Funasa. E a taxa de mortalidade infantil também está alta. Enfim, é toda uma situação realmente muito ruim, inclusive para o país. Mas o que nos assusta é a enorme violência que vem sendo praticada contra as comunidades que lutam pelas suas áreas tradicionais na forma de assassinatos e esquartejamentos.
Após as mortes, os corpos são encontrados dentro de sacos de lixo, em geral em fundos de rio ou locais de difícil acesso – isso quando são encontrados. E foi um assassinato ocorrido dessa maneira na Argentina que mais me alarmou, na região de Misiones, fronteira com Paraguai e Brasil. Existe um grupo de guaranis na região que foram expulsos do Paraguai. Isso porque o agronegócio brasileiro chega ao Paraguai, onde já há muitos fazendeiros brasileiros em certas partes do país. Inclusive, há casos em que borrifaram veneno nos índios e nas aldeias, como ocorreu no segundo semestre do ano passado, deixando vários deles enfermos.
Apesar de não sair na grande mídia daqui, foi bem falado por lá. Ou seja, o agronegócio chega ao Paraguai, expulsa os guaranis, que vão ao norte da Argentina. Dessa forma, na região de Misiones, há um boom de assentamentos deles, onde houve uma criança assassinada recentemente.
Qual é, mais exatamente, a rotina costumeira desses indígenas? Que tratamento eles recebem das autoridades, mídia e demais populações locais?

Existem três situações muito diferentes. Os Guaranis são o povo indígena mais populoso, em seus três diferentes grupos (Kaiowá, Nhandeva e Mbya), totalizando 50 mil pessoas. No MS, estão os nhandeva e os kaiowá. As situações são diferentes no seguinte sentido: aqueles que estão nas reservas mais antigas, demarcadas no começo do século 20, ainda no tempo do Marechal Rondon, vivem uma situação complicadíssima, pois as reservas estão absolutamente superlotadas.
Há reservas de 2000 hectares com população de 5000 pessoas, uma densidade demográfica de cidade grande praticamente. Assim, eles não têm lugar pra roça e precisam sair da reserva para trabalhar nas usinas próximas, onde conseguem emprego, para depois voltar às reservas, que acabam sendo reservas-dormitório. Isso ainda faz com que as mulheres fiquem sozinhas.
Por outro lado, eles ao menos têm o atendimento da Funasa, na maior parte das vezes escola, enfim, uma atenção maior, embora a situação seja muito ruim em termos de acesso à terra. Há outra situação, que, a meu ver, é a melhor no estado: é a daqueles localizados em terras indígenas demarcadas na década de 80, que são oito áreas ‘novas’, como chamamos. São 8 terras e possuem tamanho mais adequado à população tradicional desses locais. Eles têm atendimento da Funasa, da FUNAI e uma maior extensão de terra, onde ainda é possível fazer agricultura, um pouco de colheita e caça. É uma situação um pouco melhor.
Mas a pior situação se refere a 22 assentamentos, em beira de estrada, exatamente como os do MST. Só que com o agravante do enorme preconceito existente no MS em relação aos guaranis, que são chamados de bugres. E desses 22 assentamentos, a maior parte está embaixo de lona preta; outros em reservas mais antigas, sem acesso à água, submetidos a toda a violência dos fazendeiros, que se sentem já invadidos de verem-nos às portas da propriedade.
Os que ficam em tais condições não têm acesso à saúde, pois às vezes a Funasa não consegue atendê-los ou não pode. Tampouco têm acesso à escola. Dessa forma, as crianças vão às escolas das cidades mais próximas, onde sofrem um preconceito horroroso; não têm como lavar roupa, não têm comida… Esses são os que realmente sofrem a violência que mencionei. Estive lá em um acampamento deles e, logo depois que voltei, a liderança que conheci foi assassinada. E nada sai na mídia.
Por parte do governo, a FUNAI estruturou alguns grupos de trabalho (GT), a fim de propor novas áreas. Dessa forma, temos alguma esperança com esses novos GTs que foram para lá. No entanto, os GTs também sofrem muita violência, ameaças, perseguição a carro. Mas estão trabalhando.
O que se pode dizer do relatório da Survivor International recém-entregue à ONU, listando toda sorte de mazelas na vida dos guaranis? Como você acha que deveria ressoar em nossa sociedade?

Acho que quanto mais pudermos veicular a situação dos Guaranis no Brasil todo e internacionalmente, melhor. O que vejo hoje em dia, pelo menos em São Paulo, é algo que se aproxima mais do lado folclórico, chamam crianças indígenas para acampar… Que bom, pois há uma certa valorização da questão indígena por parte da opinião pública, mas com enorme desconhecimento da situação deles no MS. O Mato Grosso do Sul é o estado mais anti-indígena do Brasil. É completamente diferente do Mato Grosso, Amazonas, onde o preconceito diminuiu um pouco. Precisamos fazer uma campanha naquele estado. O problema é que ninguém tem coragem de descer lá, já que está nas mãos do PMDB, há a questão das alianças de governo… E ninguém faz nada.
Qual tem sido a atuação dos governos, nas três esferas, na resolução das demarcações de terra e demais direitos exigidos pelos indígenas?
No que diz respeito à política de educação, no Brasil, ela é implementada pelos estados ou municípios. Portanto, de maneira geral, precisa de mais apoio à educação dos índios, que não são abarcados por nenhum dos entes. Existem cursos de formação de professores Guarani Kaiowá, numa boa iniciativa apoiada pela Universidade de Dourados. Mas falta muita infra-estrutura nas escolas, tele-centros, enfim, investimentos e consciência do governo de que os povos indígenas em seus territórios são uma riqueza para o estado.
É a mesma coisa de Roraima, quando diziam: ‘há um problema, que são os índios’. Não é problema. Temos que, cada vez mais, trazer à cidadania brasileira a idéia de que essa população tem muito a nos ensinar. Temos o privilégio de conviver com essa população, sua sabedoria e modos de vida, podendo aprender com eles. Nunca podemos encarar a questão como um problema ou uma barreira cultural, como ouço muitas vezes de alguns serviços de saúde. Não é uma barreira. Eles têm cultura, línguas diferentes, uma riqueza imensa.
E nós temos de aprender essas línguas. Não há um não-indígena que fale guarani no Brasil. Isso é um absurdo. Temos 50 mil guaranis no Brasil e ninguém fala a língua deles, que são obrigados a falar português, a língua do dominador. Não ficamos bravos quando um americano vem aqui trabalhar e não sabe falar nossa língua? É a mesma coisa em relação aos indígenas. As pessoas que trabalham com saúde e educação indígena têm de aprender o mínimo das línguas e culturas indígenas, de modo que possam respeitá-las, pois aquilo que não conhecemos não respeitamos, mesmo sem querer.
Portanto, acho que os serviços de educação e saúde aos Guaranis Kaiowá, embora estejam melhorando com algumas boas iniciativas, ainda deixam muito a desejar. Muito mesmo. Há muita coisa que poderia ser feita e, por falta de vontade política, não é.
Que interesses mais específicos impediriam a resolução mais rápida de tais impasses e também a inserção das comunidades indígenas no processo econômico regional, uma vez que a produção de suas terras também poderia se inserir na economia de mercado?Na verdade, nas reservas antigas, quase não há espaços para produzir. Nas áreas de roça, como no Alto do Solimões, os grandes provedores de alimentação da cidade são os indígenas, que provêm os mercados regionais com toda a produção de roça. No MS, é muito urgente fazer, por parte do governo federal e estadual, mesas de concertação, discussão, de produção de consenso, que poderiam ser paritárias. Ninguém abre diálogo com os guaranis, que se reúnem apenas entre eles e vão entregar suas demandas ao governo. Depois, um ou outro funcionário vai conversar com eles. Mas não existe uma sistemática, como essas mesas, onde suas idéias possam ser expressadas em sua língua. É como se nós tivéssemos de expressar nossas demandas em francês.
Já avançaríamos muito com uma medida dessas. Poderia ao menos reduzir um pouco essa violência tão grande que há por lá. É necessária alguma mediação de conflitos, talvez com especialistas contratados. Creio que esse seria o caminho para os guaranis entrarem no mercado regional.
Como tem sido a solidariedade a esse movimento? Além do engajamento dos guaranis da Bolívia, Paraguai e Argentina, há um movimento forte por parte de outros atores da sociedade civil, ou a luta dos índios é isolada?

Lá no MS, se você for a Campo Grande ou qualquer cidade por ali, verá que estão isolados, exceto por algumas iniciativas de universidades. Não existem grupos de apoio, nas escolas não há material para que as crianças compreendam quem são esses seus vizinhos guaranis…
O que podemos fazer são matérias que saiam na mídia e expressem solidariedade, pois não há muitos caminhos. Os guaranis, por sua própria característica cultural, não possuem uma organização unificada, onde se possa falar com algum presidente. Não existe isso, justamente por serem guaranis. Se quisermos que eles formem alguma organização, estaremos desrespeitando a sua organização social e política. É muito difícil conseguir exercer solidariedade. Assim, o que podemos fazer é veicular cada vez mais material em português e tentar influenciar mais escolas do estado a estudar um pouco mais sobre eles, para que as crianças não sejam simplesmente ensinadas a chamá-los de bugres e reproduzir preconceitos.
Temos de abrir cada vez mais o leque, aprender a língua, além de divulgar na internet e outras mídias, já que não há muitos tele-centros ou sites sobre o tema. No Amazonas, por exemplo, tem muito mais. É importante constituir alguma rede ao lado deles.
O processo eleitoral que teremos neste ano traz esperanças, angústias, que sentimentos aos povos da região? Há alguma perspectiva de melhora na luta desses povos ou os dias que lhes esperam se mostram sombrios?

Conversando com algumas mulheres Kaiowá de uma comunidade, perguntei a elas o que mais querem, o que lhes traria mais esperança. Sabe o que responderam? “Dar documentos aos nossos filhos”. Eles não têm carteira de identidade, e fora da cidade não são aceitos em nada. A coisa lá é tão complicada que… não sei.
Gostaria muito que os próximos governos federal e estadual mudassem essa situação. Mas gostaria muito mais que a questão indígena não fosse objeto de trabalho e reflexão por parte de um partido só, pois não se trata de uma questão partidária. Claro que os modelos e tratamentos da questão serão diferentes em cada partido. Quanto a isso, tudo bem. Nesse sentido, acho que a questão indígena está mais bem incorporada no projeto de governo da Marina Silva atualmente. Gosto muito do PT e do governo do Lula, e espero que a Dilma consiga articular tal questão um pouco melhor no Mato Grosso do Sul, mas depende muito de quem for o governador.
Tenho muita esperança, mas o que gostaria de verdade é que esta não se tornasse uma questão partidária. E foi isso que aconteceu no Mato Grosso do Sul. Como lá o governo é do PMDB, o governo federal não se mete, não briga, porque não pode perder os aliados de lá. Isso é um absurdo! É uma população que sofre uma violência terrível em função de uma aliança partidária. A questão indígena é humanitária, deveríamos ter uma visão um pouco mais larga a respeito do assunto.
 
Marta Azevedo, professora do Núcleo de Estudos da População (NEPO) da Unicamp em entrevista a Gabriel Brito, publicada pelo Correio da Cidadania
 
Reprodução:http://www.domtotal.com/especiais/artigo_detalhes.php?espId=1120&espId_art=1121
 
 
 
 
 

Movimento Indígenas em Ação



Para conhecer o Movimento Indígenas em Ação acesse:

http://www.xingu-otomo.net.br/

O site é uma inicitiva da jovem indígena ativista Sany Kalapalo



Sany Kalapalo é professora de cultura indígena brasileira e fundadora do Movimento Indígena em Ação(MIA). É índia xinguana. Aos 12 anos de idade veio para cidade juntamente com sua família guerreira com objetivo de conhecer e estudar a cultura branca e com o sonho de um dia expandir sua cultura e sua luta.
Índia Sany, filha do rio xingu,de nação kalapalo e aweti da sua mãe natureza herdou, família linguística karibe e tupi.
Sany Kalapalo dá palestra em eventos, escolas públicas e particulares e universidades.

Para mais detalhes entre em contato com:

Equipe:Movimento indígenas em ação

oca-mia@live.com
Telefone: (11) 5297-8714

Cartilha Cidadania Quilombola

 


Cartilha: Cidadania Quilombola
Texto de Luciana Bedeschi

LINK PARA DOWNLOAD: http://www.4shared.com/office/pFGDrWfz/cidadania_quilombola.html

...
A Cartilha Cidadania Quilombola é fruto de uma parceria entre a
Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), vinculada à Presidência da República e o Instituto Socioambiental (ISA) por meio do
Programa Vale do Ribeira.
O objetivo da publicação é esclarecer as dúvidas mais comuns
das comunidades remanescentes de quilombos no exercício de seus
direitos individuais e coletivos e mostrar aos moradores dessas comunidades o que podem e devem fazer para exercê-los. Por isso, foi escrita em linguagem simples e acessível, abordando direitos e garantias

http://www.4shared.com/office/pFGDrWfz/cidadania_quilombola.html

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A ciência em cordel


Ações do documento
 

 
Embrapa lança livro em cordel enfocando o avanço da ciência para crianças

A evolução da pesquisa de reprodução animal no Brasil, desde a época do descobrimento, até o nascimento do primeiro animal clonado no país, a bezerra Vitória, é o tema do livro "Brasil – do descobrimento à Vitória", que está sendo lançado pela EmbrapaRecursos Genéticos e Biotecnologia e Embrapa Informação Tecnológica, unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O livro que é dirigido ao público infanto-juvenil, tem como autor o técnico da Empresa, Edvalson Bezerra Silva. Escrito em versos, a obra procura divulgar a ciência em uma linguagem simples, para facilitar a compreensão do público em geral, especialmente de estudantes do ensino médio e fundamental.

O livro é ilustrado, com textos curtos e letras grandes para facilitar ainda mais a compreensão da leitura e, assim, possibilitar que o público "mergulhe na ciência", como afirma o autor. A idéia de divulgar a evolução da ciência no Brasil na linguagem e musicalidade do cordel, inédita no Brasil, partiu da vontade de Edvalson de que o livro alcance um público maior, incluindo aqueles que não sabem ou que não gostam de ler, já que o conteúdo permite que ele seja cantado. Ele cita como exemplo a história de Lampião e Maria Bonita, que é conhecida por todo o povo do Nordeste, mesmo os iletrados, pela forte influência do cordel naquela região.

Para explicar a clonagem, que deu origem à bezerra Vitória daEmbrapa, um marco para a ciência brasileira como o primeiro animal clonado no Brasil e na América Latina, o autor lançou mão, além do cordel e desenhos, de fotos e esquemas explicativos, diante da complexidade do tema. "Várias dessas técnicas já estão à disposição dos pecuaristas brasileiros para o melhoramento genético animal, e todas podem ser utilizadas para a preservação de raças de animais domésticos ameaçadas de extinção. No futuro, quem sabe, possam ser usadas também para a conservação de espécies silvestres", afirma Edvalson.

Por mais que tentasse fugir da aridez do linguajar científico, o autor explica que muitas vezes algumas palavras e expressões técnicas tiveram que ser mantidas e, por isso, o livro contém também um glossário, que explica o seu significado em uma linguagem acessível.

Esse livro é a primeira iniciativa de divulgação científica em cordel, mas Edvalson já tem planos para outros na mesma linha. "A pesquisa com animais é apenas uma pequena parcela do trabalho da Embrapa. Existem outras pesquisas de importância para a agricultura brasileira que precisam ser divulgadas, especialmente para as crianças, já que serão os futuros condutores da pesquisa científica no Brasil. E essa série poderá complementar o currículo escolar que não acompanha o ritmo dos avanços científicos", finaliza o autor. O livro, que tem 86 páginas, pode ser adquirido através do endereço eletrônico:vendas@cenargen.embrapa.br.


Fernanda Diniz - MTb 4685/89/DF
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Contatos: (61) 448-4769 e 448-4770 - fernanda@cenargen.embrapa.br

Cordel e ciência – a ciência em versos populares


Cordel e ciência – a ciência em versos populares












Cordel e ciência – a ciência em versos populares
Organizadores: Ildeu de Castro Moreira, Luisa Massarani e Carla Almeida
Editora Vieira & Lent
256p. R$ 23,00













 
 
Cordel e ciência é uma coletânea de 22 folhetos escritos por cinco nordestinos que elegeram como mote questões e fatos relacionados à ciência. Estes versos populares oferecem uma leitura prazerosa sobre relatos de descobertas científicas, questões relacionadas à saúde (dengue, vacinação, transplante, diabetes), ao meio ambiente (fauna e flora), episódios da vida de cientistas (Newton, Einstein, Sabin, Santos Dumont, Oswaldo Cruz, Galileu, Hipócrates, Arquimedes e Kepler) e descrições de acontecimentos astronômicos (a conquista da Lua, o cometa Halley e outras).
O livro mostra que grandes nomes da literatura de cordel têm aberto espaço para discutir a ciência em seus folhetos. Alguns deles, como Gonçalo Ferreira da Silva, que é presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, vêm se dedicando nos últimos anos a escrever biografias de cientistas e filósofos que marcaram a história da ciência e do pensamento humano. Já Manoel Monteiro assumiu a tarefa de informar e alertar seus leitores sobre temas relacionados à saúde. Outros cordelistas usaram também a criatividade para explorar temas importantes relacionados à ciência e à saúde, como Raimundo Santa Helena, Eugênio Dantas de Medeiros e Edmilson Santini.
O objetivo do livro é, além de proporcionar maior alcance ao trabalho imaginativo desses poetas, sugerir que o cordel e outras formas de expressão populares podem ser tomados como interessantes pontos de partida para se analisar determinados aspectos da relação entre ciência e sociedade e que podem mesmo ser utilizados como um instrumento adicional de divulgação científica, especialmente junto aos setores populares. Os organizadores da coletânea - Ildeu de Castro Moreira (do Instituto de Física da UFRJ), Luisa Massarani e Carla Almeida (ambas do Museu da Vida da Fiocruz) - esperam que esta ferramenta poética estimule a reflexão e o uso mais amplo de formas alternativas de popularização da ciência. O livro, publicado pela editora Vieira & Lent, será lançado nesta segunda-feira (12/12), a partir das 19h, no Museu da República (Rua do Catete 153), no Rio de Janeiro.

Os cordelistas
Os autores que participam de Cordel e ciência são cinco: Edmilson Santini, pernambucano, nasceu em 1955. Mora no Rio de Janeiro e se dedica ao teatro em cordel; Eugênio Dantas de Medeiros nasceu em 1939, no Rio Grande do Norte. É formado em filosofia e pedagogia. Ocupa a cadeira número 10 da Academia dos Cordelistas do Crato; Gonçalo Ferreira da Silva nasceu em 1937, no Ceará. Vive no Rio e é presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC); Manoel Monteiro, pernambucano, nasceu 1937. É um dos mais importantes cordelistas brasileiros em atividade; Raimundo Santa Helena nasceu no Ceará, em 1926. Tem cerca de 300 títulos em circulação. Foi criador da Feira de São Cristóvão.




http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?from_info_index=181&infoid=21&sid=10

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Encontro Marcado de Fernando Sabino


O livro de Fernando Sabino sobre trajetória de um jovem surpreendeu a crítica na época por sua aderência ao real e por retratar as desilusões de uma geração em crise


11/07/2011 19:41
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: Ricardo Chaves
Foto: Mestre das crônicas, Fernando Sabino esteve ligado a grandes escritores desde sua juventude
Mestre das crônicas, Fernando Sabino esteve ligado a grandes escritores desde sua juventude
Segundo o escritor Tristão de Athayde, O Encontro Marcado (1956), de Fernando Sabino, constituiria o "drama de uma geração". Embora a afirmação esteja correta, é preciso explicá-la melhor: o romance se afirma como sinal de uma época, mas de uma época plasmada pelos olhos de um único personagem, o do escritor Eduardo Marciano. Há dezenas de outras figuras na história, entre amigos, namoradas, a esposa, mas todos servem para esclarecer a trajetória do protagonista. Como bem disse o crítico Wilson Martins: "Os demais personagens do romance, mesmo os que se criou com maior felicidade, se confundem numa espécie de segundo plano brumoso e vago. Eles não têm fisionomia: são corpos fluidos, flutuando na neblina (...) O drama de Eduardo não é o de viver um destino comum com sua geração, mas o de viver uma solidão que o separa irremediavelmente dos homens".

A época de Eduardo Marciano, sua biografia enfim, confunde-se bastante com a do autor, a ponto de muitos acreditarem que se trata de um romance semi-autobiográfico. Nas confusões do grupo escolar em Belo Horizonte; nos papos posteriores com os amigos, em que a boemia se mistura a discussões literárias; na busca por um emprego por meio do qual pudesse se sustentar para levar adiante a vocação para a escrita; no matrimônio em crise — em cada um desses momentos, pode-se imaginar se Sabino não estava descrevendo situações pelas quais passou. Na verdade são situações pelas quais o autor poderia ter passado, tal o nível de aderência ao real que caracteriza o texto.

Encontro Marcado mostra, principalmente, a angústia de um jovem em desesperada procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida. Nesse sentido, é, sim, o drama de uma geração; uma geração dilacerada entre os altos anseios e o muro de uma realidade turva, que teima em quebrar-lhe as expectativas. "De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar", diz o narrador sobre Eduardo. A geração de Sabino bebeu em Jean-Paul Sartre e em Albert Camus, e o existencialismo dos dois filósofos franceses foi seu néctar amargo. Por isso, é precisa a definição do também escritor mineiro Lúcio Cardoso ao dizer que o livro é "a violenta história de uma náusea", referindo ao título de um romance de Sartre.

Nascido em 1923 em Belo Horizonte, Sabino uniu-se na juventude a Hélio Pelegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos em intensa convivência que perduraria a vida inteira. Chamou a atenção dos críticos com a novela A Marca, de 1944, ano em que se casou com Helena Valadares, filha do então governador de Minas. No Rio de Janeiro, para onde se mudou, se liga à roda de escritores, da qual faziam parte Aníbal Machado e Carlos Drummond de Andrade.

Sabino foi um mestre também nas narrativas curtas e nas crônicas, publicando nesses gêneros O Homem Nu, A Mulher do Vizinho, A Inglesa Deslumbrada e Deixa o Alfredo Falar!. Em 1979 lançou seu segundo romance, O Grande Mentecapto, retomando uma história iniciada 33 anos antes. Morreu em outubro de 2004, no Rio de Janeiro. Encontro Marcado, seu maior êxito, hoje se encontra na 67ª edição.

http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/encontro-marcado-402981.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_educar&utm_content=fds

Portal só para crianças


Um portal só para as crianças :

http://www.ebc.com.br/infantil

Livro grátis: Título: Quilombos - Espaço de resistência de homens e mulheres negros




Título: Quilombos - Espaço de resistência de homens e mulheres negros

LINK PARA DOWNLOAND: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me002193.pdf

sábado, 6 de outubro de 2012

Pobreza e grossura


Pobreza e grossura

Olavo de Carvalho
Bravo!, julho de 2000



Neste país você não pode pedir emprego e muito menos dinheiro emprestado a um conhecido sem que ele instantaneamente assuma ares paternais e comece a lhe dar conselhos, a ralhar com você chamando-o de irresponsável, leviano e miolo-mole. E dê graças a Deus de que ele o faça em tom bonachão e não transforme a humilhação sutil em massacre ostensivo. Finda a cena, ele sai todo satisfeito com a consciência do dever cumprido e considera-se dispensado de lhe arranjar o emprego ou o dinheiro. E você? Bem, você sai duro, desempregado... e culpado.

Esse mesmo sujeito é capaz de, na mesma noite, oferecer um jantar tomando o máximo cuidado para que a arrumação da mesa e a distribuição dos convidados obedeçam estritamente às regras da mais fina etiqueta.

Um indício seguro de barbarismo num povo é a atenção excessiva concedida aos sinais convencionais de boa educação e o desprezo ou ignorância dos princípios básicos da convivência que constituem a essência mesma da boa educação.

O bárbaro, o selvagem, pode decorar as regras e imitá-las na frente de quem ele acha que liga para elas. Mas não capta o espírito delas, não percebe que são apenas uma cartilha de solicitude, de atenção, de bondade, que pode ser abandonada tão logo a gente aprendeu o verdadeiro sentido do que é ser solícito, atencioso e bom.

Meu pai era um sujeito relaxado, que às vezes ia de pijama receber as visitas. Mas ele chamava de "senhor" cada mendigo que o abordava na rua, e sem que ele me dissesse uma palavra aprendi que o homem em dificuldades necessitava de mais demonstrações de respeito do que as pessoas em situação normal. Quanto mais respeitoso, mais cuidadoso, mais escrupuloso cada um não deveria ser então com um amigo que, vencendo a natural resistência de mostrar inferioridade, vem lhe pedir ajuda! Esta regra elementar é sistematicamente ignorada entre as nossas classes médias e altas, principalmente por aquelas pessoas que se imaginam as mais cultas, as mais civilizadas e – valha-me Deus! – as mais amigas dos pobres.

Fico horrorizado quando vejo alguém enxotar um flanelinha como se fosse um cachorro, e nunca vi alguém fazê-lo com a desenvoltura, o aplomb, a consciência tranqüila de um intelectual de esquerda! Nos anos 60, corria o dito de que ajudar os pobres individualmente era "alienação burguesa", ópio sentimental, sucedâneo da revolução salvadora. Passaram-se quarenta anos, a revolução salvadora não veio (onde veio, os pobres ficaram mais pobres ainda) e duas gerações de necessitados apertaram ainda mais os cintos em homenagem à prioridade da revolução. Mas não conheço um só militante comunista do meu tempo e do meu meio que não esteja com a vida ganha, que não ostente como um sinal de maturidade triunfante a segurança financeira adquirida graças ao apadrinhamento da máfia política que, até hoje, domina o mercado de empregos na imprensa, na publicidade, no ensino superior e no mundo editorial.

Hoje não precisam mais do pretexto revolucionário para enxotar flanelinhas. Seu discurso tornou-se palavra oficial, as prefeituras e governos estaduais nos advertem, em cartazes piedosos, para não dar esmolas. Sim, a caridade individual está em baixa. Os frutos da bondade humana não devem ir direto para o bolso do necessitado: devem ir para as ONGs e os órgãos públicos, sustentando funcionários e diretores, financiando movimentos políticos, pagando despesas de aluguel, administração, publicidade e transporte, para no fim, bem no fim, se sobrar alguma coisa, virar sopa dos pobres, diante das câmeras, para a glória de São Betinho.

Há quem neste país tenha nojo da corrupção oficial. Pois eu tenho é da caridade oficial.

Ainda há quem diga: "Mas se você dá dinheiro o sujeito vai beber na primeira esquina!" Pois que beba! Tão logo ele o embolsou, o dinheiro é dele. Vocês querem educar o pobre "para a cidadania" e começam por lhe negar o direito de gastar o próprio dinheiro como bem entenda? Querem educá-lo sem primeiro respeitá-lo como um cidadão livre que atormentado pela miséria tem o direito de encher a cara tanto quanto o faria, mutatis mutandis, um banqueiro falido? Querem educá-lo impingindo-lhe a mentira humilhante de que sua pobreza é uma espécie de menoridade, de inferioridade biológica que o incapacita para administrar os três ou quatro reais que lhe deram de esmola? Não! Se querem educá-lo, comecem pelo mais óbvio: sejam educados. Digam "senhor", "senhora", perguntem onde mora, se o dinheiro que lhes deram basta para chegar lá, se precisa de um sanduíche, de um remédio, de uma amizade. Façam isso todos os dias e em três meses verão esse homem, essa mulher, erguer-se da condição miserável, endireitar a espinha, lutar por um emprego, vencer.

Na verdade, a barreira que impede o acesso de pobres e mendicantes brasileiros a uma vida melhor é menos econômica que social. Façam um teste. Quanto custa um frango? Assado, com farofa. Cinco reais no máximo, em geral menos. Quer dizer que um mendigo, pedindo esmola em qualquer das grandes capitais do Brasil, pode comer pelo menos um frango por dia, se não dois, e ainda lhe sobra o dinheiro da condução. Para você fazer uma idéia de quanto um país onde isso é possível é um país rico e generoso, tente esta comparação. Quando Franklin D. Roosevelt lançou o New Deal, um dos objetivos principais do ambicioso plano econômico foi assim anunciado pelo rádio: "Assegurar que cada família deste país tenha em sua mesa um frango por semana." Ouviram bem? Um frango por semana para quatro ou cinco pessoas. Na época pareceu um ideal quase utópico. Pois bem: estamos numa terra onde velhas desamparadas que se arrastam pelas ruas comem um frango por dia, onde os meninos de rua pedem esmola em frente ao MacDonald’s para completar o preço de um BigMac com fritas de três em três horas, onde os bebês famintos exibidos pelas mães em prantos usam fraldas descartáveis, onde as casas dos bairros miseráveis têm antenas parabólicas e os catadores de lixo se comunicam com seus sócios por telefones celulares.

Em contrapartida, façam outro teste: peguem um sujeito sujo e esfarrapado, encham-no de dinheiro e façam-no entrar numa loja de roupas – não digo uma loja elegante, mas qualquer uma -- para comprar um terno. Será enxotado. E, se gritar: "Eu tenho dinheiro!", vai terminar na polícia, com holofote na cara, tendo de se explicar muito bem explicadinho, isto se não for obrigado a escorregar "algum" para a mão do sargento.

O mesmo pobre que pode comer um frango por dia tem de comê-lo na calçada, com os cães, porque não tem acesso aos lugares reservados aos seres humanos. Está certo que você, gerente do restaurante, fique constrangido de botar um sujeito estropiado e fedido no meio dos seus clientes distintos. Mas não vê que mandá-lo comer na rua é mais falta de educação ainda? Pelo menos dê-lhe de comer num cantinho discreto, converse com ele sobre as dificuldades da vida, ofereça-lhe uma camisa, uma calça. Seja educado, caramba! Pois se você, que está bem empregado e bem vestido, tem o direito de ser grosso, que primores de polidez pode esperar do pobre? Se um dia, cansado de levar chutes, ele o manda tomar naquele lugar, não se pode dizer que esteja privado do senso das proporções. E não me venha com aquela história de "Se eu tratar bem um só mendigo, no dia seguinte haverá uma fila deles na minha porta". Isso pode ser verdade em casos isolados, mas não no cômputo final: se todos os restaurantes tratarem bem os mendigos, logo haverá mais restaurantes que mendigos. Conte os mendigos e os restaurantes da Avenida Atlântica e diga se não tenho razão. Isto sem que entrem no cálculo os bares e padarias.

O brasileiro de classe média e alta está virando uma gente estúpida que clama contra a miséria no meio da abundância porque cada um não quer usar seus recursos para aliviar a desgraça de quem está ao seu alcance, e todos ficam esperando a solução mágica que, num relance, mudará o quadro geral. Sofrem de platonismo à outrance: crêem na existência de um geral em si, dotado de substância metafísica própria, independente dos casos particulares que o compõem.

Por isso é que quando a propaganda do Collor inventou aquela coisa de "Não votem em Lula porque ele vai obrigar cada família de classe alta a adotar um menino de rua", eu me disse a mim mesmo: "Raios, se isso fosse verdade eu ficaria satisfeito de votar no Lula." Só acredito é em gente ajudar gente, uma por uma, não na mágica platônica das "mudanças estruturais", pretexto de revoluções e matanças que resultam sempre em mais pobreza ainda.

Na verdade, quem acredita nelas erra até ao dar nome ao problema geral. Quando, revoltados ante a desgraça do povo brasileiro, gritamos: "Fome!", algo está falhando na nossa percepção da realidade social. No mais das vezes, o que falta não é comida, não é dinheiro: é as pessoas compreenderem que a pobreza não é um estigma, não é uma desonra, é uma coisa que pode acontecer a qualquer um e da qual ninguém se liberta só com dinheiro, sem o reforço psicológico de um ambiente que o ajude a sentir-se novamente normal e, em suma, um membro da espécie humana.

Entre as causas culturais da pobreza, a principal não está nos pobres: está na falta de educação dos outros.





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Hoje é dia de São Francisco

 
Hoje, quatro de Outubro, é dia de São Francisco. O santo dos pássaros, peixes, pobres, o primeiro ser humano que percebeu e leu a natureza como uma irmandade coesa e interdependente

Roberto Malvezzi (Gogó)

Hoje, quatro de Outubro, é dia de São Francisco. O santo dos pássaros, peixes, pobres, o primeiro ser humano que percebeu e leu a natureza como uma irmandade coesa e interdependente.

É o dia também que Américo Vespúcio, em 1501, ao fazer uma viagem de reconhecimento na costa brasileira, chegou à foz de um grande rio. O rio era chamado pelos nativos de Opará, o “rio-mar”.

Então, batizou o rio com o nome do santo.

Esses dias um livro de professores universitários, inclusive da Universidade do Vale do São Francisco (UNIVASF), falando da riqueza da biodiversidade da caatinga, fizeram um veredicto fatal sobre nosso rio: está condenado à morte.

Claro, dependerá se o modelo vigente continuará devastando o Velho Chico. Não há nada que indique o contrário, a não ser a luta miúda, mas organizada, de boa parte da população resistente da bacia.

Esses dias, D. Luis Cappio e um grupo de peregrinos vão até suas nascentes, celebrar os 20 anos de sua peregrinação ao longo do rio, de 1992 a 1993. Foi quando saiu a exclamação: “esse rio está morrendo, precisa ser revitalizado”.

O São Francisco, segundo estudos recentes, já correu para o Parnaíba. Por isso o delta do Parnaíba seria muito maior que o próprio delta do São Francisco. Mudanças geológicas teriam alterado o percurso do rio.

Quem sabe forças da vida consigam reverter e vencer as forças da morte que o destroem, mudando não seu percurso, mas seu destino.

Que São Francisco guarde o rio de seu nome.

http://www.brasildefato.com.br/node/10819

A última entrevista de Graciliano Ramos

A última entrevista de Graciliano Ramos
Numa manhã de dezembro de 1948, dez anos após a publicação de “Vidas Secas”, Graciliano Ramos se confessa ao jornalista e escritor Homero Senna, em sua última longa entrevista
Principio por pedir a Graciliano Ramos que me diga alguma coisa sobre os começos de sua vida, no interior de Alagoas, na cidade de Quebrangulo (não Quebrângulo, como geralmente se diz), onde nasceu. “Mas isso tudo está contado em ‘Infância’. Valeria a pena repetir?” E como eu dissesse que sim, resumiu: “De minha cidade natal não guardo a menor lembrança, pois saí de lá com um ano. Criei-me em Buíque, zona de indústria pastoril, no interior de Pernambuco, para onde, a conselho de minha avó, meu pai se transferiu com a família. Em Buíque morei alguns anos e muitos fatos desse tempo estão contados no meu livro de memórias”.

Abro o volume, para conferir, e, entre outras coisas, lá encontro este perfil psicológico do velho Ramos, traçado pelo filho: “Tinha imaginação fraca e era bastante incrédulo. Aborrecia os ateus, mas só acreditava nas contas correntes e nas faturas. Desconfiava dos livros, que papel aguenta muita lorota, e negou obstinadamente os aeroplanos. Em 1934 considerava-os duvidosos”.

De quem o romancista teria herdado, então, o gosto pela literatura? Talvez do avô paterno, cujo retrato desbotado costumava admirar no álbum que se guardava no baú, e de quem admite que tenha recebido em legado “a vocação absurda para as coisas inúteis”. De sua mãe, o espírito infantil recolheu esta impressão: “Uma senhora enfezada, agressiva, ranzinza, sempre a mexer-se, várias bossas na cabeça mal protegida por um cabelinho ralo, boca má, olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura”, ente difícil que na harmonia conjugal “se amaciava, arredondava as arestas, afrouxava os dedos que batiam no cocuruto, dobrados, e tinham a dureza de martelos”.

De Buíque, onde o romancista frequentou a primeira escola, experimentou os primeiros desânimos diante dos livros didáticos do Barão de Macaúbas e viveu algumas das inesquecíveis aventuras de sua meninice, a família mudou-se para Viçosa, não a de Minas, terra do presidente Bernardes, mas a açucareira do interior de Alagoas. O que foi a extensa caminhada, de dezenas de léguas, desde os campos ralos, povoados de xiquexiques e mandacarus, até uma nova paisagem, de vegetação densa e muito verde, longa viagem feita em lombo de animal, está contada numa das melhores páginas de “Infância”.

De Viçosa, Graciliano passou a Maceió, onde frequentou um colégio mau; voltou e, aos 18 anos, foi morar em Palmeira dos Índios, no interior do Estado. Em Palmeira dos Índios chegaria a prefeito, e foi graças a dois relatórios que escreveu que se tornou conhecido. Mas não precipitemos os acontecimentos.

Estamos ainda em 1914. Nesse ano realiza Graciliano sua primeira viagem ao Rio, tendo trabalhado como foca de revisão. No “Correio da Ma­nhã” e no “O Século”, de Brí­cio Filho, não passou de suplente de revisor, trabalhando apenas quando o revisor efetivo faltava. Em “A Tarde”, porém, um jornal surgido naquela época para defender Pinheiro Ma­chado, chegou a revisor efetivo. Morou em várias pensões, naquele Rio dos princípios do século, que tantos cronistas já têm descrito. Os antigos endereços ficaram-lhe na memória, e sem qualquer esforço o romancista os vai citando: Largo da Lapa 110; Maranguape 11, Riachuelo 19. Todos numa zona então muito pouco recomendável, porque bairros de meretrício, de desordeiros e boêmios.

Nessa sua primeira viagem à Corte procurou aproximar-se de algum escritor, fez camaradagem literária?

Nenhuma. Os escritores daquele tempo eram cidadãos que, nas livrarias e nos cafés, discutiam colocação de pronomes e discorriam sobre Taine. Machado e Euclides já haviam morrido, e os anos de 1914 e 1915, em que estive no Rio, assinalam, na literatura brasileira, uma época cinzenta e anódina, de que é bem representativo um tipo como Osório Duque Estrada, que então pontificava.

Ficou aqui até quando?

Até 1915. Depois de curta e nada sedutora permanência na capital, achei melhor voltar para Palmeira dos Índios, onde já havia deixado um caso sentimental e onde minha família estava toda sendo dizimada pela peste bubônica. Num só dia perdi dois irmãos. Alarmado, e também desgostoso com a vida que levava, tratei de voltar para Alagoas. Em outubro de 1915 casei-me e estabeleci-me com loja de fazendas em Palmeira dos Índios. A mesma loja que fora de meu pai.

Nessa ocasião já tinha preocupações literárias?

Lia muito e escrevia coisas que inutilizava ou publicava com pseudônimos.

Quer revelar alguns desses pseudônimos?

Você é besta.

Fazia versos?

Aprendi isso, para chegar à prosa, que sempre achei muito difícil. Tendo vivido quinze anos completamente isolado sem visitar ninguém, pois nem as visitas recebidas por ocasião da morte de minha mulher eu paguei, tive tempo bastante para leituras. Depois da Re­volução Russa, passei a assinar vários jornais do Rio. Desse modo me mantinha mais ou menos informado, e os livros, pedidos pelos catálogos, iam-me do Alves e do Garnier, e principalmente de Paris, por intermédio do Mercure de France.

Então, se procurava manter-se tão bem informado a respeito do que se passava no Rio e no resto do mundo, deve ter acompanhado, lá de Palmeira dos Índios, o movimento modernista?

Claro que acompanhei. Já não lhe disse que assinava jornais?

E que impressão lhe ficou do modernismo?

Muito ruim. Sempre achei aquilo uma tapeação desonesta. Salvo raríssimas exceções, os modernistas brasileiros eram uns cabotinos. Enquanto outros procuravam estudar alguma coisa, ver, sentir, eles importavam Marinetti.

Não exclui ninguém dessa condenação?

Já disse: salvo raríssimas exceções. Está visto que excluo Ban­deira, por exemplo, que aliás não é propriamente modernista. Fez sonetos, foi parnasiano. E o “Solau do Desamado” é como as “Sex­tilhas de Frei Antão”. Por dever de ofício, pois estou organizando uma antologia de contos brasileiros, antologia que rola há mais de três anos, tive de reler toda a obra de um dos próceres do modernismo. Achei dois contos de cinco ou seis páginas cada um. E pergunto: isso justifica uma glória literária?

(Franze a testa, detém-se um instante, mas logo prossegue.)

Os modernistas brasileiros, confundindo o ambiente literário do país com a Academia, traçaram linhas divisórias rígidas (mas arbitrárias) entre o bom e o mau. E querendo destruir tudo que ficara para trás, condenaram, por ignorância ou safadeza, muita coisa que merecia ser salva. Vendo em Coelho Neto a encarnação da literatura brasileira — o que era um erro — fingiram esquecer tudo quanto havia antes, e nessa condenação maciça cometeram injustiças tremendas. Nas leituras que tenho feito, para a organização da antologia a que me referi, encontrei vários contos, de autores propositadamente esquecidos pelos modernistas e que seriam grandes em qualquer literatura. Lembro-me de alguns: “O Ratinho Tique-Taque”, de Medeiros e Albu­quer­que; “Tílburi de Praça”, de Raul Pompéia; “Só”, de Domício da Gama; “Coração de Velho”, de Mário de Alencar; “Os Brincos de Sara”, de Alberto de Oliveira. Nas antologias que andam por aí essas produções geralmente não aparecem, e de alguns dos autores citados são transcritos contos que não dão a ideia exata do seu talento e do domínio que tinham do gênero. Só posso atribuir isso, como já disse, à desonestidade. Porque se os compararmos aos produtos dos líderes modernistas, estes se achatam completamente.

Quer dizer que não se considera modernista?

Que ideia! Enquanto os rapazes de 22 promoviam seu movimentozinho, achava-me em Palmeira dos Índios, em pleno sertão alagoano, vendendo chita no balcão.

E como foi que chegou a prefeito da cidade?

Assassinaram o meu antecessor. Escolheram-me por acaso. Fui eleito, naquele velho sistema das atas falsas, os defuntos votando (o sistema no Brasil anterior a 1930), e fiquei vinte e sete meses na prefeitura.

Consta que, como prefeito, soltava os presos para que fossem abrir estradas...

Não era bem isso. Prendia os vagabundos, obrigava-os a trabalhar. E consegui fazer, no município de Palmeira dos Índios, um pedaço de estrada e uma terraplenagem difícil.

Em que ano foi isso?

Em 1930.

O ano do relatório...

Os relatórios são dois: há o de 1929 e o de 30.

Relatórios do prefeito ao governador do Estado, dando contas de sua administração, não é?

Justo. Apenas, como a linguagem não era a habitualmente usada em trabalhos dessa natureza, e porque neles eu dava às coisas seus verdadeiros nomes, causaram um escarcéu medonho. O primeiro teve repercussão que me surpreendeu. Foi comentado no Brasil inteiro. Houve jornais que o transcreveram integralmente.

E assim nasceu o escritor...

Não. Nasceu antes. Mas tinha o bom senso de queimar os romances que escrevia. Queimaram-se diversos. “Caetés”, infelizmente, escapou e veio à publicidade.

Numa edição Schmidt...

Exato. Por intermédio de Rômulo de Castro, Schmidt, que aqui no Rio lera os meus relatórios, pediu-me que lhe enviasse artigos para a imprensa. Como não me interessasse fazer carreira no jornalismo, nem construir nome literário, recusei-me. Aliás, nessa ocasião já estava de mudança para Maceió, pois fora nomeado diretor da Imprensa Oficial. Com a revolução, quis demitir-me, mas não pude. E lá fiquei até dezembro de 1931. Não suportando os interventores militares que por lá andaram, larguei o cargo e voltei para Palmeira dos Índios, onde, numa sacristia, fiz “São Ber­nardo”. Estava no capítulo 19, capítulo que escrevi já com febre, quando adoeci gravemente com uma psoíte e tive de ir para o hospital. Do hospital ficaram-me impressões que tentei fixar em dois contos: “Paulo” e “O Relógio do Hospital” — e no último capítulo de “An­gús­tia”. No delírio, julgava-me dois, ou um corpo com duas partes: uma boa, outra ruim. E queria que salvassem a primeira e mandassem a segunda para o necrotério. Estava convalescendo, em janeiro de 1933, quando tive notícia da minha nomeação para diretor da Instrução Pú­blica. Não acreditei.

Qual o interventor que o nomeou?

O capitão Afonso de Car­valho, hoje coronel. Foi disparate. Permaneci no cargo até 3 de março de 1936. Em 1933 Sch­midt lançara “Caetés”, que eu trazia na gaveta desde muito tempo. Naquele dia do mês de março de 1936, porém, sem qualquer explicação, fui preso e remetido para o Recife. onde passei dez dias incomunicável. Depois fui metido no porão do “Manaus” e vim para cá. Tive dez ou doze transferências de cadeia.

Qual o motivo da prisão?

Sei lá! Talvez ligações com a Aliança Nacional Libertadora, ligações que, no entanto, não existiam. De qualquer maneira, acho desnecessário rememorar estas coisas, porque tudo aparecerá nas “Memórias da Prisão”, que estou compondo.

Foi assim, então, que veio para o Rio?

Foi. Arrastado, preso.

Mas valeu a pena, não?

Sinceramente, não sei. Nun­ca tive planos na vida, muito menos planos de sucesso. De­pois daquela experiência da mocidade, o Rio não me atraía. No entanto vim, no porão do Manaus, e aqui vivo.
(Estávamos, portanto, diante de um antipará. Os “parás”, na saborosa classificação de Jaime Ovale, são “esses homenzinhos terríveis que vêm do Norte para vencer na capital da República; são habilíssimos, audaciosos, dinâmicos e visam primeiro que tudo o sucesso material, ou a glória literária, ou o domínio político”. Que pensaria Graciliano dessa fauna? Lanço a pergunta e a resposta não tarda.)
Está claro que existe um “exército do Pará”. Na maioria dos casos, porém, os seus milicianos já chegam feitos do Norte. Aqui vêm apenas colher os louros, ou, mais positivamente, as vantagens. E no Rio em geral definham, tornam-se mofinos. Ignoro se também sou “Pará”. Nunca fiz coisa que prestasse, mas ainda assim o pouco que fiz foi lá e não aqui, onde a vida não nos deixa tempo para nada. Hoje leio apenas jornais, um ou outro ro­mance. De manhã escrevo; à tarde saio para as minhas ocupações (inclusive para o “papo” na livraria); à noite trabalho. Onde iria achar tempo para leituras? E se não tivesse lido um pouco no interior, onde os dias são intermináveis, seria inteiramente analfabeto.

Quer dizer que acha preferível, para o escritor, a vida na província?

No Nordeste não podemos falar em “provincianismo”, luxo dos Estados grandes: São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul. Nós, do Nordeste, temos de ser “municipais” ou “nacionais”. E, a ter de morar em qualquer dos Estados daquela região, acho preferível o interior às capitais, porque estas, seus mexericos, seus grupinhos literários, suas academiazinhas, seus institutos históricos, são sempre muito ruins. Já no interior poderá um homem entrar em contato íntimo com a terra e o povo. É, por exemplo, de onde vem a força de um José Lins do Rego, de uma Raquel de Queirós, de um Jorge Amado.

Sabe que é apontado como um dos nossos escritores modernos que melhor manejam o idioma?

Conversa. Talvez, se houvesse alguma verdade nisso, eu devesse muito aos caboclos do Nordeste, que falam bem. É lá que a língua se conserva mais pura. Num caso de sintaxe de regência, por exemplo, entre a linguagem de um doutor e a do caboclo — não tenha dúvida, vá pelo caboclo, e não erra. Note que me refiro ao caboclo do sertão. O do litoral vai-se estrangeirando.

Mas não me venha dizer que seu aprendizado da língua se fez apenas com os caboclos de Buíque e Palmeira dos Índios.

Claro que não. Muitas coisas não poderiam eles ensinar-me. Está visto que tive de chatear-me lendo gramáticas. E arrepiei-me com a leitura dos frades.

Consta que você, como Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, é grande leitor de dicionários.

Consta e é verdade. Dicio­nário, para mim, nunca foi apenas obra de consulta. Costumo ler e estudar dicionários. Como escritor, sou obrigado a jogar com palavras. Logo, preciso conhecer o seu valor exato.

Acha isso uma qualidade?

Não sei. O que sei é que não há talento que resista à ignorância da língua.

Poderia, hoje, deixar de escrever?

Quem me dera poder deixar.

Sua obra de ficção é autobiográfica?

Não se lembra do que lhe disse a respeito do delírio no hospital? Nunca pude sair de mim mesmo. Só posso escrever o que sou. E se os personagens se comportarem de modos diferente, é porque não sou um só. Em determinadas condições, procederia como esta ou aquela das mi­nhas personagens.

Já se pode viver, no Brasil, da profissão de escritor?

Não creio. A última edição de minhas obras rendeu-me 50 contos. Da edição americana de “Angústia”, recebi 10 contos apenas. Tenho também três livros traduzidos para o espanhol. Mas os negócios na Argentina e no Uruguai andaram mal. Como não tenho o hábito de frequentar os suplementos e as revistas ilustradas, a literatura me rende pouco.

Que outras atividades exerce?

Trabalho no “Correio da Manhã” e sou inspetor de ensino secundário no ginásio São Bento.

Gosta do emprego que tem?

É-me indiferente. Trata-se de uma sinecura como outra qualquer. Em todo caso, nunca tive uma falta nem tirei licença.

E no “Correio da Manhã”, qual o seu serviço?

Corrijo a gramática dos repórteres e noticiaristas.

Gosta de jornalismo?

Não. Nem me considero jornalista.

Com essa vida de jornal, naturalmente dorme tarde.

À uma hora. E me levanto às sete.

Nos seus livros trabalha, portanto, apenas de manhã.

Exato. Até às onze, mais ou menos.

E para trabalhar, exige um bom ambiente ou não liga a isso?

Trabalho em qualquer parte. “Angústia” foi escrito em palácio, quando eu era diretor da Instrução Pública de Alagoas. “São Ber­nardo”, em péssimas condições, numa igreja. Qualquer canto me serve. Mas disponho, hoje, em casa, de uma confortável sala de trabalho: isso que os burgueses costumam chamar “escritório”.

Gosta da casa onde mora?

Em qualquer lugar estou bem. Dei-me bem na cadeia. Tenho até saudades da Colônia Correcional. Deixei lá bons amigos.

(Casado duas vezes, Graciliano tem seis filhos e duas netas. Pergunto-lhe se costuma ajudar a mulher em casa, e ele se espanta.)

Já faço muito em pagar as despesas. Aliás, tenho horror a compras. E quando ouço o telefone, tranco-me.

Aos domingos, o que costuma fazer?

Em geral escrevo pela manhã e à tarde durmo.

(O autor de “Vidas Secas” não faz visitas, não vai a concertos nem a conferências e não gosta de música. Tem, entretanto, um velho hábito: vai diariamente à Livraria José Olympio, na Rua do Ouvidor, e fica lá várias horas, num banco que já é quase propriedade sua, localizado no fundo da loja.)

Muitas vezes vou lá dormir. Mas aparecem amigos, conhecidos, e toca-se a conversar.

(Em virtude desse hábito, muita gente pensa que Graciliano dá a vida por um “papo”. Ele, porém, desfaz-me essa impressão.)

Quase sempre converso forçado, porque chegam pessoas. Mas na verdade muitos dias preferiria ficar quieto, sem trocar palavra. Também é fato que lá aparecem bons amigos, desses que a gente revê com prazer.

(Como Manuel Bandeira, Graciliano recebe inúmeros originais, para ler e dar opinião. A Bandeira dirigem-se sobretudo os jovens poetas ainda incertos quanto à própria vocação. E os que se iniciam na prosa, geralmente procuram mestre Graciliano. Este, assim, tem sempre uma quantidade enorme de originais para ler.)
É maçada. Recebo dezenas de originais. São principiantes, geralmente dos Estados, que desejam, é claro, alguns elogios. Já me aconteceu receber, na mesma semana, originais do Piauí e de Goiás. Eu devia fazer como José Lins: afirmar, sem leitura, que tudo é magnífico.

(Os escritores jovens do Brasil, que dos mais distantes Estados remetem originais para Graciliano Ramos, em busca de uma opinião, e nem sempre recebem resposta, ou a resposta que esperavam, podem, entretanto, considerar-se vingados: na própria casa do romancista surgem originais, e originais que ele tem, forçosamente, de ler, e talvez percorra com olhos mais benignos: os contos de seu filho Ricardo, de 19 anos, e de sua filha Clara, quatro anos mais moça que o irmão. Ambos têm vocação para as letras. Ricardo, jornalista, já tem publicado alguma coisa, naturalmente com a chancela paterna. E, ainda que Graciliano nos afirme o contrário, nos diga que nenhum deles lhe pede opinião, é divertido imaginar o romancista, cansado de emendar o português dos noticiaristas do “Correio da Manhã”, e de ler originais que lhe chegam, às dezenas, de todo o país, ter, em casa, de dar opinião sobre os trabalhos dos filhos.)

(Pergunto qual a sua impressão dos contos de Ricardo Ramos, e ele não se nega a opinar.)

Regulares. Tem jeito e poderá fazer coisa que preste.

E Clara?

É ainda criança. Tem 15 anos apenas e está concluindo o curso secundário.

(Despedindo-me de Graciliano, depois da longa conversa que aqui tentei reproduzir, faço-lhe uma última pergunta: Acredita na permanência de sua obra? E sem qualquer pose, sem nada que deixasse transparecer falsa modéstia, antes dando a impressão de que falava com absoluta sinceridade, esse pessimista seco e amargo respondeu-me.)
Não vale nada; a rigor, até, já desapareceu.
Nota: Entrevista publicada na “Revista do Globo”, edição nº 473, em 18 de dezembro de 1996. E posteriormente no livro “República das Letras”, de Homero Senna, editora Civilização Brasileira.
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

História do Negro no Brasil



De: SHARYSE PIROUPO DO AMARAL

*LINK PARA DOWNLOAD PARTE 1:
http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/Elementos%20pre-textuais%20-%20UAB%202%20com%20ISBN.pdf


LINK PARA DOWNLOAD PARTE 2:
http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/livro2_HistoriadoNegro-Simples04.08.10.pdf

A elevação da qualidade do ensino público brasileiro é uma condição necessária para
que as metas previstas nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio sejam
alcançadas no Brasil e para que o país consolide o seu papel de liderança no mundo
global. Uma dimensão crucial nesse processo é a valorização da carreira docente e,
em especial, dos professores e professoras que atuam na educação básica.
O Curso a Distância de Formação para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras
promovido pelo Centro de Estudos Afro-Orientais, da Universidade Federal da Bahia,
traz uma contribuição relevante à sociedade brasileira ao promover a formação de
profissionais da Educação Básica que atuam no Estada da Bahia. O caráter inovador
desta ação reside, principalmente, na construção de um currículo interdisciplinar no
campo dos estudos africanos e afro-brasileiros incluindo, entre outros, conteúdos sobre
as representações da África, as relações de poder no contexto escravista, as múltiplas
dimensões do racismo, e as formas de resistência e de expressão cultural negras no
Brasil. Ao estimular a pesquisa e a reflexão sobre estes temas, o Curso visa à
implementação da Lei 10.639/03, garantindo aos profissionais da Educação
participantes melhores condições para o trabalho pedagógico e para a produção de
conhecimento nesta área.
Destaca-se, ainda, que a iniciativa de realização do Curso de Formação para o Ensino
de História e Cultura Afro-Brasileiras é parte da Rede de Educação para a Diversidade,
composta por instituições de ensino superior que atuam na formação para a
diversidade a distância desde 2008, a partir de uma articulação entre a Secretaria de
Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC) e a Universidade
Aberta do Brasil (UAB).

Site PortaCurtas disponibiliza filmes selecionados no Festival do Rio 2012



Do UOL, em São Paulo

Cena do curta Uma Vida Inteira, de Bel Ribeiro e Ricardo Santini, com Alice Braga
  • Cena do curta "Uma Vida Inteira", de Bel Ribeiro e Ricardo Santini, com Alice Braga
Alguns curtas selecionados para a Mostra Première Brasil do Festival do Rio 2012 já estão disponíveis no sitePortaCurtas. Os filmes estão na íntegra e podem ser acessados gratuitamente.
Os curtas incluem “Penas”, de Paulinho Caruso, baseado numa história em quadrinhos do cartunista Laerte Coutinho; “A Cidade”, de Liliana Sulzbach, sobre uma comunidade em Itapuã (RS); “Uma Vida Inteira”, de Bel Ribeiro e Ricardo Santini, sobre a primeira noite de um casal; e “O Colecionador”, de Gunter Sarfert, com a atriz Maria Flor.
O PortaCurtas é um site que possui mais de mil curtas-metragens brasileiros para exibição online gratuita. O site foi pioneiro na difusão de filmes pela web, com quase 15 milhões de acessos a curtas brasileiros como os premiados "Ilha das Flores""Barbosa", do diretor Jorge Furtado.

Festival do Rio 2012

Foto 75 de 109 - Ney Matogrosso e Maitê Proença lançam o filme "Primeiro Dia de um Ano Qualquer", do diretor Domingos Oliveira, no Rio (30/9/12) Felipe Assumpção/AgNews



http://cinema.uol.com.br/ultnot/2012/10/01/site-portacurtas-disponibiliza-filmes-selecionados-para-o-festival-do-rio-2012.jhtm