Domingo de Circo
Toda tua chegada nessa radiosa manhã de domingo embandeirada de infância. Solene e festivo circo armado no terreno baldio do meu coração.
As piruetas do palhaço são malabaristas alegrias na vertigem de não saber o que faço.
Rugem feras em meu sangue; cortam-me espadas de fogo.
Motos loucas de globo da morte, rufar de tambores nas entranhas, anúncio espanholado de espetáculo, fazem de tua chegada minha sorte.
Domingo redondo aberto picadeiro, ensolarado por tão forte ardor, me refunde queima alucina:
olhos vendados,
sem rede sobre o chão,
atiro-me do trapézio
em teu amor.
Do livro A Arte de Semear Estrelas, de Frei Betto.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Programa Ensaio, para quem gosta de música da melhor qualidade

 
 
Programa Ensaio da TV Cultura é maravilhoso para quem gosta de música da melhor qualidade. Músicos de verdade de todos os cantos do Brasil, mostrando o que há de melhor na música popular brasileira!
 
No vídeo acima, Patricia Bastos, cantora do Amapá, mostrando todo seu talento, acompanhada de músicos reconhecidos do Pará(Trio Manari) e de SP(família Ozetti).
 
Outros maravilhosos programas disponíveis em:
 

Luiz Antonio Simas: O gurufim do Blecaute

Luiz Antonio Simas: O gurufim do Blecaute

'O enterro foi no São João Batista e um fã mais afoito encheu a cara, errou de cemitério e parou no Caju'

O Dia

O cantor Blecaute, um dos maiores intérpretes de marchinhas e sambas de Carnaval de todos os tempos, morreu no dia 9 de fevereiro de 1983 (há exatos 31 anos). O velório foi uma fuzarca das boas. Em certo momento um corneteiro solou, em andamento lento e tom fúnebre, o samba ‘General da Banda’, maior sucesso do falecido, com a solenidade exigida pela ocasião. Logo depois o da corneta se animou, atacou de ‘Maria Candelária’, a alta funcionária que saltou de paraquedas e caiu na letra ó, emendou com ‘Maria Escandalosa’, outro sucesso do cantor, e transformou o cemitério em um salão dos mais animados. À exceção do próprio Blecaute, todos os presentes, numa reação em cadeia, levantaram os dedinhos e caíram no sassarico.
Blecaute marcou seu nome na história da MPB
Foto:  Arte: O DIA
O lance mais inusitado da morte do Blecaute, entretanto, não foi o fabuloso baile no cemitério. Sei do acontecido porque um amigo do meu avô testemunhou o que passo a relatar. Acontece que o enterro foi no São João Batista e um fã mais afoito, disposto a se despedir do ídolo, encheu a cara, errou de cemitério e parou no Caju, ao lado de dois companheiros de copo. Os três, pra lá de Bagdá, chegaram ao concorrido velório de um capitão do Exército e, apostando que aquele mar de gente só podia estar ali para se despedir do Blecaute, invadiram a capela mandando no gogó: “Chegou General da Banda, ê ê / Chegou General da Banda, ê a...”

Para horror da família do capitão, com direito a siricoticos da esposa e crise nervosa de uma amante até então discretíssima, alguns dos presentes, mesmo não entendendo bulhufas do que ocorria, acharam que era melhor cantar também. Na hora em que os bebuns, no embalo do ‘General da Banda’, puxaram ‘Pedreiro Waldemar’, que faz tanta casa e não tem casa pra morar, um familiar do morto deu o basta, foi tirar satisfações com os cachaças e o pau comeu.

Em meio a cenas de pugilato, a amante do defunto incorporou uma cigana e passou a dar consultas no cemitério, ao lado do túmulo do Barão do Rio Branco. A esposa deu uma de viúva das histórias do Nelson Rodrigues e desmaiou nos braços do coveiro. Os pinguços, quando perceberam a dimensão da encrenca, saíram em busca de alguma birosca.

A turma cantando para o defunto errado foi, no fundo, uma tremenda homenagem ao grande Blecaute. Não imagino prova de popularidade mais contundente. A família do milico, cá entre nós, não deveria ter se ofendido com o gurufim. O homem subiu de patente: viveu como capitão do Exército e virou, depois de morto, o General da Banda.
 
fonte:

Baixe grátis o livro de Tião Rocha "Volta ao mundo em 13 escolas"

 
Como disse o Tião Rocha, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, de MG, rua é bom demais! E a gente concorda muito com isso

Esse é um trecho do incrível livro Volta ao mundo em 13 escolas do Coletivo Educ-ação e que pode ser baixado gratuitamente no site: http://educ-acao.com/

[esta arte foi adaptada da capa do livro, criada originalmente por Alice Vasconcellos e Manuela Novais (projeto gráfico), Andreia Marques (ilustração)]

fonte:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=398248306977347&set=a.172785546190292.41537.169462313189282&type=1&theater

 

"Índio falou, tá falado" por José Bessa

A prova está no dicionário: dos 228 mil verbetes que o Houaiss apresenta em uma de suas edições, cerca de 45 mil são palavras emprestadas de línguas indígenas. Alguma dúvida de que o conhecimento dessa herança linguística é necessário para entender o português que falamos, e até mesmo para consolidar a nossa identidade?
“Há várias línguas faladas em português”, afirma José Saramago no documentário Língua: vidas em português. Basta olhar as variedades regionais para dar razão ao escritor. Como explicar tal diversidade? Parte dela reside no fato de que os índios que aqui moravam falavam centenas de línguas autóctones diferentes e quando começaram a usar um idioma que veio de fora – o português – nele deixaram impressas suas marcas, fruto de uma relação que a sociolinguística denomina de “línguas em contato”. Como as línguas indígenas eram diferentes em cada região, as marcas que deixaram não foram as mesmas.

No início do século XVI, o poeta Sá de Miranda lançou aos mares do futuro a nau da língua portuguesa, vinculando seu destino à expansão do comércio marítimo. Durante um par de séculos, o português passou a ser falado na Índia, na Malásia, na Pérsia, na Turquia, na África, no Japão e até na China e na Cochinchina. Tornou-se “língua franca”, isto é, um idioma usado para comunicação entre pessoas cujas línguas maternas são diferentes – como ocorre hoje com o inglês.

A língua portuguesa já veio para cá marcada por outras línguas com as quais havia convivido. Aqui, no território que é hoje o Brasil, encontrou mais de 1.300 línguas, faladas por cerca de 10 milhões de habitantes, segundo estimativas de pesquisadores da Escola de Berkeley que estudaram demografia histórica e consideram que ocorreu  no continente americano "a maior catástrofe demográfica da história da humanidade". Índios foram assassinados porque o colonizador queria ocupar suas terras e explorar sua força de trabalho.

As duas línguas gerais indígenas faladas no Grão-Pará e no Brasil – a Língua Geral Amazônica (LGA) e a Língua Geral Paulista (LGP) – nomearam conceitos, funções e utensílios novos trazidos pelos europeus com adaptações fonéticas e fonológicas: cavalo (cauarú), cruz (curusá), soldado (surára), calça ou ceroula (cerura), livro (libru ou ribru), papel (papéra), amigo ou camarada (camarára).

Os portugueses começaram a falar essas duas línguas e também tomaram delas muitos empréstimos, hoje usados pelos brasileiros, que nem desconfiam de sua origem. Desde o século XVI, os portugueses, que tinham interesse econômico em comunicar-se com os índios, começaram a usar uma língua de base tupi que se tornou a Língua Geral. Os missionários fizeram então uma gramática, explicando como funcionava essa língua e passaram a usá-la na catequese. Traduziram para ela orações, hinos e até peças de teatro. Essa e outras línguas legaram uma herança ao português.

De origem tupi é a palavra carioca, nome de um rio que, segundo alguns especialistas, significa “morada(oca)do acari”, um peixe que cava buracos na lama e ali mora como se fosse um anfíbio. Para outros, é o nome de uma aldeia, a "morada dos índios carijó". Da mesma origem são os nomes de muitos lugares, como locais atuais do Rio de Janeiro que conservaram as denominações de antigas aldeias: Guanabara (baía semelhante a um rio), Niterói (baía sinuosa), Iguaçu (rio grande), Pavuna (lugar atoladiço),Irajá (cuia de mel), Icaraí(água clara) e tantos outros, como Ipanema, Sepetiba, Mangaratiba, Acari, Itaguaí.

Mas muitos topônimos indígenas adquiriram novos sentidos ou perderam seu sentido original. Os tupinambás denominaram de Itaorna uma área em Angra dos Reis, onde na década de 1970 foi construída a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, cujo  solo minado por águas pluviais provocou deslizamentos de terra das encostas da Serra do Mar. Somente em fevereiro de 1985, quando fortes chuvas destruíram o Laboratório de Radioecologia que mede a contaminação do ar na região, descobriram o que significa itaorna: “pedra podre”.

A influência das línguas indígenas nas variedades usadas no Brasil não se resume a uma listagem de palavras exóticas ou "folclóricas". Além do léxico, existem outras influências entranhadas nas camadas profundas da língua, que penetraram em seus alicerces, mexendo com seu sistema sintático, fonológico e morfológico. É o que os linguistas chamam de "substrato".

No caso da fala individual, o substrato é o conjunto de transferências adquiridas pela primeira língua, ou língua materna, depois do contato com uma segunda língua. Do ponto de vista coletivo, o substrato é o conjunto de vestígios que uma língua, quase sempre extinta, deixa sobre outra língua, em geral a de um povo invasor. É a influência da língua perdida sobre a língua imposta, que só se estabiliza após diversas gerações. Exemplos disto são alguns processos de modalização do nome, característicos do tupi, que deixaram suas marcas no português não pela via do empréstimo cristalizado, mas pelo próprio mecanismo. Tanto na palavra netarana, usada no Pará, quanto em outras do português regional, como sagarana, canarana, cajarana, tatarana, há o uso do sufixo tupi rana (“como se fosse”).

Essas influências ainda não foram completamente inventariadas, embora algumas tenham sido identificadas. O indigenista Telêmaco Borba recolheu, em 1878, dados sobre a língua oti, que era então falada no sertão de Botucatu (SP). Descobriu que aquela língua, do tronco Jê, possui sons que os grupos de língua tupi não tem, como o r retroflexo. E seus falantes levaram esse traço para o português quando adquiriram a nova língua. Ele ali permanece até hoje no r paulista, conhecido como r caipira. A atriz Vera Holtz sabe disso.

No interior do Amazonas, no rio Madeira, há o processo de “alçamento” e "abaixamento" de vogais, "Alçamento" é o fechamento vocálico, visível em casos como “popa da canoa”, que se pronuncia pupa da canua, o que também é atribuído ao substrato de língua indígena.

Nem sempre tais mudanças, consagradas pelo uso, foram aceitas pelos puristas da língua. Da mesma forma que o Império Romano considerou como “línguas estropiadas” as variedades do latim faladas na Península Ibérica (que deram origem ao português, ao espanhol, ao catalão, ao galego, ao mirandês), assim também os portugueses consideraram a variedade aqui falada como “língua mutilada”.

No Sermão do Ano Bom, em 1642, o jesuíta Antonio Vieira, que viveu no Grão Pará, afirmou que “A língua portuguesa (…) tem avesso e direito; o direito é como nós a falamos, e o avesso como a falam os naturais”. Classificou as variedades locais do português de "meias línguas, porque eram meio políticas [civilizadas] e meio bárbaras: meias línguas, porque eram meio portuguesas e meio de todas as outras nações que as pronunciavam, ou mastigavam a seu modo”.

Uma resposta a Vieira está na letra da canção “Língua”, de Caetano Veloso: “Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões / (…) E deixe os Portugais morrerem à míngua / 'Minha pátria é minha língua'/ Fala Mangueira! Fala! / Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó/
O que quer / O que pode esta língua?/ (…) Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas”.

As línguas indígenas permanecem no substrato do português e guardam informações e saberes, funcionando como uma espécie de arquivo. Conhecer a contribuição efetiva que legaram à língua portuguesa é entender como viviam os povos que as falavam e se apropriar dessa experiência milenar.

P.S. – Solidariedade irrestrita aos familiares e amigos das três pessoas assassinadas em dezembro de 2013, cujos corpos foram encontrados na área indígena Tenharim no sul do Amazonas. No entanto, não podemos permitir que sentimentos tão profundos como a dor, o luto e a tristeza pela perda de entes queridos sejam manipulados para destilar ódio, preconceito racial e violência boçal contra os índios, como pretendem alguns discursos que circulam nas redes sociais.

Esse tipo de discurso tem alimentado o genocídio que em cinco séculos trucidou centenas de milhares de índios. Nossa solidariedade às três pessoas assassinadas só adquire legitimidade se ela se estende à tragédia vivida pelos povos indígenas da Amazônia. Entendendo que uma forma de combater o preconceito é conhecer o outro, apresentamos aqui versão do artigo que publicamos na Revista de História da Biblioteca Nacional (n° 100, jan. 2014).
 
fonte:

Acadêmicos amestrados por Idelber Avelar

Acadêmicos amestrados
Idelber Avelar

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.

Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.
Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável e criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a “morte de Marx”. Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.

Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a  desqualificação que eles usam com os demais. No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori. É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar – cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.

O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite,  em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século XVII. É impensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade. Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de “vagabunda” pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.

Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como “o filósofo” pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de “terrorismo de Estado”. Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real – por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses – se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como “terrorismo de Estado” a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.

A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de “trapalhadas” e chamava Celso Amorim de “líder estudantil” e “cavalo de troia de bufões latino-americanos”. Poucos dias depois, a respeitadíssima revista Foreign Policy – que não tem nada de esquerdista – apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o “melhor chanceler do mundo”, nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.

Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os “especialistas” sobre isso – agora sim, com aspas – são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.

Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo? No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.

Este artigo é parte integrante da Edição 80 da Revista Fórum


http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2010/09/30/academicos-amestrados/

O cineasta Eduardo Coutinho por Alan Pauls: CÓMO ESTAR JUNTOS

CÓMO ESTAR JUNTOS

DESPEDIDAS Hace una semana murió el documentalista brasileño Eduardo Coutinho, en un final trágico, asesinado a los 81 años por su propio hijo esquizofrénico. Durante sus cuarenta años de carrera y con películas como Edificio Master, Boca de Lixo, Santo Forte o el clásico Cabra Marcado Para Morrer, construyó una obra lejana del paternalismo y basada en una creencia denodada en el valor de la palabra del otro.
   
 Por Alan Pauls
“Yo hago películas sobre mujeres porque no soy mujer, sobre negros porque no soy negro. Hago películas sobre los que no son como yo, ni social ni culturalmente.” Así, haciéndola propia, encarnándola, refrescaba el paulista Eduardo Coutinho la gran tradición de curiosidad social del cine documental en el siglo XX. “Desde Grierson, hace 80 años, desde Nanouk, el otro –el que no es el cineasta– es el pobre. Siempre son víctimas.” La lista de otros a los que Coutinho dedicó su obra es larga y variada y debería incluir también a obreros metalúrgicos (Peones), pescadores (Boca de lixo), etc. La semana pasada, cuando se enteró de su muerte, alguien se preguntó si habría filmado alguna vez algo sobre psicóticos, esos otros de la razón. Coutinho murió en su casa, a los 81 años, apuñalado junto a su esposa por su propio hijo, que era esquizofrénico y vivía con ellos.
Es un final desgraciado y macabro, pero parece extraña, macabramente entrelazado con una ética personal y artística de una notable radicalidad. A lo largo de unos cuarenta años, Coutinho se acostumbró a vivir con otros en sus películas y, como muchos de los artistas contemporáneos más interesantes, concibió su arte –el cine documental– como un lugar común, un espacio que a su modo intentaba responder a una pregunta ciento por ciento contemporánea: cómo vivir juntos. Pero nunca condescendió a filmar un solo fotograma que ocultara o disimulara la diferencia que lo separaba (a él, el cineasta) de su otro de turno (la víctima). Coutinho no filmaba para achicar esa distancia; filmaba para encontrar, y poner en escena, todas las posibilidades que nacen de esa distancia.
No hay voz popular, no hay acento de clase ni habitus callejero que no se hagan oír en las películas de Coutinho, verdaderas cámaras de resonancia donde repercuten los dichos de trabajadores, mucamas, costureras, jubilados, inválidos, amateurs, desempleados: las voces “de los que no tienen voz” (como rezaba el slogan del viejo periódico fundado por el senador Saadi), o, en palabras de Coutinho, “los que no tienen nada que perder”. Pero es difícil encontrar una obra menos sospechosa de pietismo, de sentimentalidad, de mimetismo caritativo que la suya. Coutinho busca, castea, elige y filma a esos otros cuyas historias le interesan, pero jamás quiere ser como ellos, ni siquiera como estrategia metodológica, para romper el hielo, ganárselos o arrancarles la confesión que les vedaría la distancia. Pero, a diferencia de los etnógrafos –esos profesionales de la intrusión que, para bien o para mal, modelaron la relación de los documentalistas con el mundo–, los otros tampoco le interesan como objetos de saber, materias primas de teoría o campo de corroboración de hipótesis. Así, Coutinho elude (o resuelve) varios de los peligros típicos que acechan a todo proyecto documental: el populismo y el paternalismo epistemológico.
Queda un tercero, el más complicado: el televisionismo, superación o fusión extrema, amnésica, de los dos anteriores. Sabemos hasta qué punto el “retorno de lo real” que afectó al cine y a las artes a partir de los años ’90 trenzó, en un parentesco siempre equívoco pero siempre productivo, las innovaciones más audaces del arte con los experimentos más demenciales de la biomediática: documentales y reality shows, bioinstalaciones y American Idols, etc. Hay mucho en el cine de Coutinho que tiende a la televisión-realidad: el dispositivo talking heads (todos los films de Coutinho están hechos de gente que habla), la hegemonía formal del plano medio, la sensibilidad por las menudencias de la actualidad social, la creencia denodada, casi ciega, en el valor de la palabra del otro. Sólo que cuando la televisión sale a la calle y entrevista a un portero, una maestra, un travesti o un obrero sin trabajo, no hace otra cosa que producir gente. (Gente –del Doña Rosa de Neustadt al “La Gente” de Lanata– es el nombre de esa bruma vaga, informe, en la que la tele evapora a sus entrevistados mientras los entrevista, y también, por supuesto, esa instancia de soberanía quejosa e irreflexiva en nombre de la cual se jacta de hablar, mostrar, informar, denunciar, inventar el mundo, etc.)
Cuando Coutinho va en busca de los militantes obreros que acompañaron a Lula en la construcción del PT (Peones), o se mete en un colmenar de Copacabana a interrogar a sus moradores (Edificio Master), lo que produce son singularidades. Es singular él, el cineasta, que sólo se permite entrar en cuadro para preguntar, y para preguntar siempre en su propio nombre, y son singulares las voces que registra, las caras y los cuerpos que encuadra, y sobre todo la relación entre esas voces y esos cuerpos y los lugares o historias o experiencias que atravesaron y que los marcaron.
El cine de Coutinho es invulnerable a la televisión porque, aun cuando su repertorio de otros –pobres, marginales, freaks sociales: “víctimas del sistema”– sea el mismo que puebla los decorados de talk shows y los informes de los noticieros, lo que busca de ellos, lo que les pide, lo que convoca cada vez que los convoca, no es la tipicidad, ni el “caso”, ni la anomalía como espectáculo, sino una materia para la que la televisión-realidad no tiene sensibilidad ni sensores: relatos. Si los otros en Coutinho son singulares, es básicamente porque son narradores. Cuentan cosas –una vida en tres líneas, un asalto en veinte minutos, un desengaño amoroso, un chiste, la pérdida de un hijo, una anécdota de viaje–, y es ese contar y sus protocolos peculiares –rodeos, repetición, atajos, arrepentimientos, postergaciones, suspensos, golpes bajos– lo que las películas de Coutinho describen con paciencia, con tiempo, con detalle. En ese sentido, una vez más, Coutinho es profundamente antipopulista: cree mucho menos en la voz (signo “natural”, inmediato, transmisor y garante de “verdad”) que en la narración (que, por espontánea que sea, siempre es fabricada, artificiosa, estratégica). Aquí el punctum de la singularidad no es el grano de la voz; es el grano del relato.
Narrar en Coutinho es una operación que singulariza, pero no porque conduzca necesariamente a la verdad sino porque el que narra, al narrar, se pone en escena, se estiliza, se estetiza, y en ese trabajo de autoproducción refunda una subjetividad y, con ella, su derecho a la palabra. Es la lección magistral de un film como Jogo da cena, donde Coutinho filma a una serie de mujeres comunes, reclutadas a través de un casting, que cuentan episodios más o menos traumáticos de sus vidas familiares, y sin aviso, como quien desliza en el mazo un par de naipes marcados, intercala a un puñado de actrices brasileñas, algunas célebres, que retoman y reinterpretan algunos de esos testimonios con todo el arsenal expresivo de su profesión. Lo que está en juego, por supuesto, no es el límite entre mentira y verdad, o entre ficción y testimonio. El documental filma “lo que ocurre”, y todo lo que ocurre “frente a la cámara” es verdad, no importa que sea actuado o sincero, urdido o espontáneo. Lo que está en juego es la posibilidad de una comunidad de relatos: un cierto comunismo narrativo en el que documento y ficción sólo sean coeficientes aleatorios de singularidad.
De ahí que las “víctimas” que Coutinho filma nunca sean víctimas, no inspiren misericordia, no nos vuelvan más cristianos. De ahí la extraña alegría que despiertan estas películas sobrias, a la vez salvajes (Coutinho artista del jump-cut) y rigurosas, de una inteligencia tan vital como subrepticia: una alegría experimentada, alerta, que recuerda siempre, que no niega nada. Alegría crítica. Los “informantes” de Coutinho pueden sufrir, pueden haber sido dejados de lado, maltratados, traicionados. Pero pueden narrar, y esa potencia es la que los rescata definitivamente de esa segunda miseria a la que suele condenarlos la televisión. Pueden narrar, y esa potencia es también el capital que les permite participar de la situación entrevista (y no sufrirla), hacer frente al otro (el cineasta), medirse y encontrarse con él en un terreno nuevo, inventado por la película, que no es ni el del deseo del cineasta ni el de la debilidad de la víctima y donde parece asomar algo parecido a una negociación feliz.
Hoy nadie le pregunta nada a nadie sin culpa. Ultraimpugnada por etnógrafos y sociólogos (los primeros que la usaron como una “herramienta de conocimiento” neutral, eufemismo que disfrazaba la relación de fuerzas instituida entre el que pregunta y el que contesta), hoy no hay alma progre que encare una entrevista sin tomar la precaución de entrecomillarla y entrecomillarse. Coutinho no. Coutinho muere por entrevistar, y el énfasis militante con que asume el papel del que pregunta (un papel en el que sólo puede comparársele Erroll Morris, otro pesado genial) es el mismo con el que desafiaba a sus entrevistadores cuando decía que no, que él no estaba “del lado de” las mujeres y los negros, que hacía películas sobre mujeres y negros porque él no era mujer ni negro. Ese es el secreto, en realidad. Porque no es mujer ni negro (ni quiere serlo), no tiene miedo de entrevistarlos. Por eso, y también porque la entrevista –situación, procedimiento, juego de lenguaje, técnica de manipulación– es en su cine el teatro de una suerte de economía primitiva utópica, fundada, quizás, en el más antiguo de los intercambios: una pregunta por una narración.

fonte:
http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/radar/9-9486-2014-02-09.html

Um site para quem gosta de "Obras de Arte"

Indicamos o site http://www.obrasdarte.com/ para quem gosta de degustar obras de arte!!!

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Baixe grátis o livro: Política e identidade cultural na América Latina

Política e identidade cultural na América Latina

Beired, José Luis Benitcho e Barbosa, Carlos Alberto Sampaio (Organizador)

Sinopse
O volume é o resultado de um seminário internacional realizado na UNESP no âmbito de um programa de formação redes de historiadores latino-americanos. O conteúdo se desenvolve em torno de duas questões fundamentais: as identidades culturais e a política latino-americana durante o século XX. A identidade cultural é tratada sob diversos ângulos, que vão do exame das representações da nação e do continente latino-americano, ao estudo da produção artística e dos meios de comunicação de massa. Por sua vez, os fenômenos políticos, as relações internacionais e  a economia são estudados em conexão com  o problema das identidades coletivas  na América Latina. Os textos encontram-se organizados em três partes: Intelectuais e Identidades; Cultura Visual e Produção de Imaginários; Processo Político e Relações Internacionais no Cone Sul.


Disponível para download gratuito em:
http://www.culturaacademica.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=132

Como tratar gastrite, segundo a Mestra raizeira, benzedeira e puxadeira, a Dona Castorina(Macapá/Amapá/Amazônia)

foto:  Jonas Banhos

Dona Castorina é uma mestra raizeira, benzedeira e puxadeira que vive em Macapá, no Estado do Amapá. Atende com muito carinho as pessoas que a procuram em sua humilde e abençoada casa para colocar em prática seus saberes medicinais populares, baseados na mãe natureza Amazônia!

Neste vídeo, Joca Monteiro, que já foi atendido por Dona Castorina, resolve compartilhar os ensinamentos apreendidos com a mestra para tratar uma gastrite.


Tome nota dos ingredientes e veja como fazer no vídeo:

-  1 maço de mastruz
-  1 maço de hortelãzinho
-  3 folhas de babosa...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

20 livros para baixar grátis sobre o Cinema Nacional




http://canaldoensino.com.br/blog/cinema-nacional-em-pdf-baixe-20-livros-gratuitamente

Quais brinquedos são os mais indicados à criança pequena?

Quais brinquedos são os mais indicados à criança pequena?

A brincadeira é um grande aliado do desenvolvimento infantil. Aliás, brincar é um direito que precisa ser garantido. Seu papel, como profissional da Primeira Infância, é levar essa consciência aos pais que, muitas vezes, pela falta de tempo ou paciência, deixam de lado o momento da brincadeira com seus filhos.
Indicamos aqui alguns brinquedos importantes para a criança pequena. Para selecioná-los, é preciso respeitar os interesses, potenciais e limitações de cada criança, já que as etapas de desenvolvimento são diferentes e também estão relacionadas ao contexto sociocultural.
Adultos que compram brinquedos que os agradam, sem levar em conta o momento e o desejo da criança, estão anulando a possibilidade de a criança participar dessa escolha e também aprender com ela.
Nossa fonte de pesquisa é o livro “Fundamentos do Desenvolvimento Infantil – da gestação aos três anos”, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
Caso você queira ler esse tópico completo, basta clicar aqui  e fazer o download gratuito do livro. Há vários temas que, com certeza, vão ajudá-lo no seu trabalho pela Primeira Infância.

Leia mais em:

http://www.desenvolvimento-infantil.blog.br/quais-brinquedos-sao-os-mais-indicados-a-crianca-pequena/

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Na Rota dos Orixás


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O NASCIMENTO DE JESUS, UM CORDEL SOBRE O NATAL





O autor já recebeu pedidos da embaixada brasileira dos EUA e da França para exibir o vídeo


Contar a história do Natal por meio de peças, músicas e filmes é algo muito comum. Para fugir do convencional, o publicitário Euriano Sales (31) decidiu usar a sua paixão pela literatura e fez  umcordel animado, passeando pela história bíblica, mas com um tom atual. O vídeo O nascimento de Jesus, um cordel de Natal tem um pouco mais de seis minutos e tem expressões cearenses como “uma arruma de dias”, “embuchou” e termos atuais como “chá de baby” e “contagem do IBGE”. Ilustrado com xilogravuras, o cordel animado tem mais de 380 mil visualizações no Youtube.
As redes sociais foram fundamentais para a propagação do vídeo, como conta o autor. “Em 2011, ele ‘bombou’ no Twitter. No ano seguinte, 2012, foi sucesso de compartilhamentos no Facebook. Algumas pessoas me contaram que receberam o vídeo por Whatsapp, outras me falaram sobre pedidos da embaixada do Brasil nos Estados Unidos e na França pedindo autorização para reproduzi-lo. Muita gente me pede (risos)”.
Euriano Sales

Euriano Sales

Euriano Sales é o autor, roteirista e narrador do vídeo. (Foto: Arquivo Pessoal)
Depois do sucesso, Euriano foi convidado para produzir vídeos institucionais contando a história de empresas através do cordel animado, o que proporcionou a criação de sua agência, o Cordel Publicitário.
Como começou
Euriano conheceu a literatura de cordel ainda na infância através de seu pai, e quando cursava a faculdade de publicidade pode aprimorar os seus conhecimentos através de disciplinas como Redação e Cultura Brasileira. Segundo ele, a linguagem popular dos cordéis geralmente trata de política, ou personagens lúdicos. Já falando sobre o cristianismo e em tons nordestinos é menos comum.
“Em 2008 quando o natal estava chegando, o pastor José Edson, da minha igreja, comentou que não tinha nenhuma programação especial para o culto de natal. Como eu sempre gostei de cordel, resolvi contar a história do natal através de um cordel.”
O texto foi declamado no culto de natal da Igreja Batista Central, onde Euriano é membro. No mesmo dia, Meg Banhos conversou com ele e propôs fazer um vídeo com ilustrações. Em dois dias, Meg fez mais de 200 ilustrações e a narração ficou por conta de Euriano.
Para Euriano, o natal tem um significado muito especial:
“O verdadeiro dono da festa não é o papai noel, e sim Jesus Cristo, que passou por todas as dificuldades por nós. E esse sentimento de natal não deve ser vivido apenas em dezembro, mas sim o ano todo. Enquanto as pessoas procuram comprar e ganhar presentes, não percebem que Jesus Cristo é o nosso maior presente. É o suficiente.”

Cartilha sobre Território e Identidade disponível para download gratuito




Parte da Coleção Política e Gestão Culturais, lançada pela Sec. de Cultura da Bahia, foi elaborada por professores, pesquisadores, estudiosos e gestores da cultura, com um objetivo muito claro: permitir o acesso a informações e conceitos fundamentais ao campo da cultura atualmente.

Com uma abordagem objetiva e introdutória é mais um instrumento de disseminação de informações cruciais para a compreensão e a atuação no campo cultural.

É só clicar: http://conferenciadecultura.files.wordpress.com/2013/11/cartilhas_secult_set13_territc3b3rio-e-identidade.pdf

Para mais informações, dê uma olhada nos outros álbuns, onde você encontrará materiais sobre produção, empreendedorismo, economia criativa, sustentabilidade e diversidade em arte e cultura.



fonte:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=617619051618442&set=a.617617854951895.1073741844.133262050054147&type=1&theater