Domingo de Circo
Toda tua chegada nessa radiosa manhã de domingo embandeirada de infância. Solene e festivo circo armado no terreno baldio do meu coração.
As piruetas do palhaço são malabaristas alegrias na vertigem de não saber o que faço.
Rugem feras em meu sangue; cortam-me espadas de fogo.
Motos loucas de globo da morte, rufar de tambores nas entranhas, anúncio espanholado de espetáculo, fazem de tua chegada minha sorte.
Domingo redondo aberto picadeiro, ensolarado por tão forte ardor, me refunde queima alucina:
olhos vendados,
sem rede sobre o chão,
atiro-me do trapézio
em teu amor.
Do livro A Arte de Semear Estrelas, de Frei Betto.

domingo, 16 de outubro de 2011

Ecodestruidade no interior de São Paulo


Armando Malheiro de Oliveira Jr., fotógrafo e leitor de ((o))eco em Atibaia (SP) tem registrado o comportamento de aves em áreas úmidas de sua cidade natal. Nos últimos meses, ele notou que algumas aves, em especial a garça-branca, tem sid afetada pela atividade de pescadores. Aqui o relato de Oliveira Jr. e veja fotos abaixo.

"Já tem alguns meses que venho acompanhando e fotografando estas aves em lagos da área urbana da cidade de Atibaia, a garça branca grande (fotos1,2 e 3) costuma ficar no Lago do Major e está sempre muito próxima dos pescadores (foto2) em busca de alimento (foto3), perceba também a sujeira do lago (foto 1)."

Garça-branca ferida com anzol no Lago Major

Pescadores no Lago Major

Disponibilidade de alimentos atrai as garcas


"As fotos 4 e 5 foram feitas no Jd. do Lago que está ainda mais sujo que o primeiro, neste lago é fácil avistar Biguás, Martim pescador, Socó e outros, para minha surpresa esta garça da foto 4 , que pelo véu que cresce em suas penas deve estar em época de acasalamento, tinha um anzol enorme na asa. "

Garça com asa machucada


"Quando estou fotografando nestas áreas os moradores me procuram e pedem para que eu faça alguma coisa a respeito, pois estão revoltados com a situação também, a foto 5 traduz isto, e por fim a patinha que fica num lago a frente, com um anzol inteiro na pata, é de cortar o coração."

Garca-branca pequena no Jd. do Lago


Estive procurando alguém para socorrer os bichos e me indicaram a polícia ambiental, pretendo contatá-los. Faz tempo que reparei que havia algo de errado, mas foi semana passada que percebi os anzóis. Aves no Anzol, não pode! Estou fotografando com um equipamento de melhor qualidade há pouco tempo, e é estranho para mim e clichê para outros, mas é verdade, quem fotografa quer preservar."

http://www.oeco.com.br/fauna-e-flora/25358-fotografo-revela-danos-de-anzol-nas-aves

Conheça a Escola de Televisão & Arte Eletrônica – ETAE


Prezados Colegas,
Há treze anos a Escola de Televisão & Arte Eletrônica  ETAE contribui na capacitação e no crescimento coletivo do setor audiovisual do nosso país. 
Em 2002 o criador da escola – Valter Bonasio - lançou o livro “Televisão Manual de Produção & Direção” (Editora Leitura). A obra é tida pelos profissionais de TV, Cinema, professores e coordenadores de cursos de comunicação das principais universidades brasileiras e de países de língua portuguesa como a “bíblia do audiovisual”. O livro e os cursos online são oferecidos totalmente gratuitos através do site 
www.escoladetelevisao.com.br

Com este pequeno gesto, demonstramos responsabilidade nesse contexto social, fazendo a nossa parte, contribuindo para a capacitação e o crescimento coletivo do setor audiovisual do nosso país.
A ESCOLA DE TELEVISÃO lançou neste mês de outubro um “Pacote de Programas Integrado” para a gestão do processo de criação e realização de conteúdo audiovisual de alta qualidade. Este software é composto por vários aplicativos, e o primeiro a ser lançado é o "ORÇAMENTO" que já está disponível gratuitamente no nosso portal.
ESCOLA DE TELEVISÃO & ARTE ELETRÔNICA está permanentemente desenvolvendo novos conteúdos e sempre buscando novas formas de transmitir conhecimentos extremamente úteis na capacitação e atualização profissional através do nosso portal.
Saudações Televisivas!
Relações Públicas
ESCOLA DE TELEVISÃO & ARTE ELETRÔNICA - ETAE.
www.escoladetelevisao.com.br

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Edgar Morin propõe a religação dos saberes com novas concepções sobre o conhecimento e a educação


Edgar Morin

Sociólogo francês propõe a religação dos sabres com novas concepções sobre o conhecimento e a educação

01/07/2011 00:15
Texto Márcio Ferrari
Nova-Escola
Foto: Wikimedia
Foto: A simplificação, de acordo com Morin, está a serviço de uma falsa racionalidade
A simplificação, de acordo com Morin, está a serviço de uma falsa racionalidade
Frases de Edgar Morin:

“A escola, em sua singularidade, contém em si a presença da sociedade como um todo”

“A ciência nunca teria sido ciência se não tivesse sido transdisciplinar”


Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século 20, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica entre capitalismo e comunismo nas relações internacionais. Diante desse cenário, o sociólogo francês Edgar Morin, hoje com 87 anos, percebeu que a maior urgência no campo das idéias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. No lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, Morin propõe o conceito de complexidade.

Ela é a idéia-chave de O Método, a obra principal do sociólogo, que se compõe de seis volumes, publicados a partir de 1977. A palavra é tomada em seu sentido etimológico latino, “aquilo que é tecido em conjunto”. O pensamento complexo, segundo Morin, tem como fundamento formulações surgidas no campo das ciências exatas e naturais, como as teorias da informação e dos sistemas e a cibernética, que evidenciaram a necessidade de superar as fronteiras entre as disciplinas. “Ele considera a incerteza e as contradições como parte da vida e da condição humana e, ao mesmo tempo, sugere a solidariedade e a ética como caminho para a religação dos seres e dos saberes”, diz Izabel Cristina Petraglia, professora do Centro Universitário Nove de Julho, em São Paulo.

Para o pensador, os saberes tradicionais foram submetidos a um processo reducionista que acarretou a perda das noções de multiplicidade e diversidade. A simplificação, de acordo com Morin, está a serviço de uma falsa racionalidade, que passa por cima da desordem e das contradições existentes em todos os fenômenos e nas relações entre eles.

Pré-história do saber

Acima de tudo, o sociólogo francês defende a introdução da incerteza e da falibilidade na rigidez cultural do Ocidente. As limitações causadas pela compactação do conhecimento, de acordo com o educador, são responsáveis por manter o espírito humano em sua pré-história. Além disso, a tendência de aplicar conceitos abstratos vindos das ciências exatas e naturais ao universo humano resulta em desconsideração por aspectos como o ambiente, a história e a psicologia, entre outros. Um exemplo, diz o pensador, é a economia, a mais avançada das ciências sociais em termos matemáticos e a menos capaz de trabalhar com regularidades e previsões.

Para recuperar a complexidade da vida nas ciências e nas atividades humanas, Morin recomenda um pensamento crítico sobre o próprio pensar e seus métodos, o que implica sempre voltar ao começo. Não se trata de círculo vicioso, mas de um procedimento em espiral, que amplia o conhecimento a cada retorno e, assim, se coaduna com o fato de o homem ser sempre incompleto – o aprendizado é para toda a vida. “A reforma do pensamento pressupõe a consciência de si e do mundo”, diz Izabel Cristina. “Ela decorre da reforma das instituições e vice-versa.”

Nos processos em espiral, é necessário conhecer os conceitos de ordem, desordem e organização. Do ponto de vista da complexidade, ordem e desordem convivem nos sistemas. O que diferencia o todo da soma das partes é o que Morin denomina comportamento emergente. Nos seres humanos, a dinâmica entre ordem e desordem se subordina à idéia de auto-eco-organização: a transformação extrapola o indivíduo, se estendendo ao ambiente circundante. Uma vez que tudo está interligado, a solidariedade é tida pelo sociólogo como peça fundamental para superar aquilo que denomina crise planetária – uma situação de impotência diante de incertezas que se acumulam.

Ouvir os jovens

Não há espaço em que a fragmentação do conhecimento esteja tão explícita quanto na escola, com sua estrutura tradicional de parcelamento do tempo em função de disciplinas estanques. Por outro lado, a diversidade de sujeitos e objetos em busca de conexões fazem da sala de aula um fenômeno complexo, ideal para iniciar o processo de mudança de mentalidades defendida por Morin. A meta é a transdisciplinaridade. “Só convencido de que tudo se liga a tudo e de que é urgente aprender a aprender, o educador adquirirá uma nova postura diante da realidade, necessária para uma prática pedagógica libertadora”, observa Izabel Cristina.

Contra a idéia arraigada de que a decomposição do conhecimento responde à suposta limitação intelectual das crianças, o pensador afirma que elas têm as mesmas inquietações dos adultos. Ouvir os alunos, naturalmente sintonizados com o presente, é a melhor maneira de o professor investir na própria formação. Esse também é o caminho para construir um programa de ensino focado no próprio estudante e suas referências culturais, porque as grandes metas da educação deveriam ser o desenvolvimento da compreensão e da condição humana. Segundo Morin, o profissional mais preparado para operar essa mudança de enfoque é o professor generalista dos primeiros anos do Ensino Fundamental, por ter uma visão ampla do processo.

Sete saberes indispensáveis

Em sua defesa da religação dos saberes, Morin tocou numa inquietação disseminada nos dias atuais, quando a tecnologia permite um acesso inédito às informações. Por isso a Organização das Nações Unidas pediu a ele uma relação dos temas que não poderiam faltar para formar o cidadão do século 21. Assim nasceu o texto Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. A lista começa com o estudo do próprio conhecimento. O segundo ponto é a pertinência dos conteúdos, para que levem a “apreender problemas globais e fundamentais”. Em seguida vem o estudo da condição humana, entendida como unidade complexa da natureza dos indivíduos. Ensinar a identidade terrena é o quarto ponto e refere-se a abordar as relações humanas de um ponto de vista global. O tópico seguinte é enfrentar as incertezas com base nos aportes recentes das ciências. O aprendizado da compreensão, sexto item, pede uma reforma de mentalidades para superar males como o racismo. Finalmente, uma ética global, baseada na consciência do ser humano como indivíduo e parte da sociedade e da espécie.

Para pensar

Na opinião de Edgar Morin, cabe aos professores do Ensino Fundamental começar a derrubar as barreiras entre os conhecimentos, por duas razões principais: eles têm a experiência generalista (pelo menos os que trabalham nas séries iniciais) e lidam com as crianças mais novas, que guardam uma curiosidade e um modo de pensar ainda não influenciados pela separação dos conteúdos em disciplinas. Será que os professores se dão a liberdade de preparar aulas sem necessariamente parcelar o horário em períodos estanques?

http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/edgar-morin-307906.shtml

Lêdo Ivo cobra uma poesia mais indignada com problemas sociais



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CARMEN SIGÜENZA
DA EFE, EM MADRI
O poeta Lêdo Ivo, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), está em visita à Espanha. Em Madri, o poeta foi convidado para apresentar uma palestra na Residência de Estudantes, mesmo lugar no qual falou nesta segunda-feira (10) sobre a falta de consciência social e a de compromisso que a literatura possui atualmente.
"Existe um excesso de atenção ao eu próprio. Parece que a indignação acabou, que os problemas sociais e de coletividade não são mais dos criadores. Hoje em dia, os poetas acabam prestando mais atenção aos assuntos amorosos e sentimentais do seu próprio eu", explicou o poeta.
O poeta disse sentir uma devoção pela literatura espanhola desde criança, citando obras de García Lorca, Alberti e toda sua geração, além de Lope de Vega, Gonzalo de Berceo e Antonio Machado, seu preferido.
Lêdo Ivo é uma personalidade simbólica na sociedade, e, aos 87 anos, apresenta uma vitalidade e um discurso apaixonado de fazer inveja até aos mais jovens. O narrador, ensaísta, jornalista e, principalmente, poeta pertence à Geração de 45, um grupo de escritores que se mostrava contrário ao modernismo de 1922. Esse movimento literário contava com João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Rubem Braga, Clarice Lispector, entre outros.
"Nasci poeta e entendo que o mundo se divide entre os poetas, formados por literatos, arquitetos, pintores, dançarinos e músicos, e os que não têm voz. Esses são os poetas que dão voz e música para os que não têm", argumentou o autor de "As Imaginações", "Rumor da Noite" e "Ode e Elegia", vencedor do prêmio de Poesia da ABL.
Fernando Rabelo/Folhapress
Poeta Lêdo Ivo
Poeta Lêdo Ivo
Amante de sonetos, dos versos longos e adorador de T.S Eliot, Lêdo Ivo afirmou que seus escritores favoritos são originários mais de França e Inglaterra do que de Portugal e do próprio Brasil.
"Acreditamos que estamos mudando muito no Brasil, mas ainda existe uma grande desigualdade. Nosso futuro depende de uma melhor educação e de uma melhor formação. Esse é nosso grande desafio", acrescentou Ivo.
Poeta da nudez, da música e com mais de 66 anos de atividade, Lêdo Ivo disse que se sente melhor poeta na velhice do que na juventude. "Agora posso refletir mais, tenho mais sentimento de conciliação metafísica e vejo mais o minúsculo, o cotidiano. Além disso, estou mais marcado pelas emoções", destacou.
Para o escritor, a poesia tem um papel fundamental na memória do mundo. "Se não tivesse existido Gómez de Quevedo e Gonzalo de Berceo, por exemplo, saberíamos muito pouco sobre a Espanha", concluiu Ivo, exaltando que o poeta é uma espécie de "máscara", uma imagem que esconde sua face verdadeira.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/988510-ledo-ivo-cobra-uma-poesia-mais-indignada-com-problemas-sociais.shtml